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CPI dos Correios
Derrotado, PT já tenta derrubar o relatório
Depois de apelar para recursos contra cassações, pedidos de depoimento e tentativas de quebra de sigilo, o PT vai tentar mais uma vez reverter uma derrota no "tapetão". Desta vez, o alvo das reclamações petistas é a aprovação do relatório final da CPI dos Correios, votado na quarta-feira. Segundo os parlamentares do partido, a votação desfavorável deve ser anulada e refeita.
Muito irritados com o resultado - 17 votos a favor e 4 contra o relatório -, os petistas já protocolaram um recurso contra a validade da sessão. O autor do pedido foi o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que o entregou à Mesa da Câmara - o Senado deveria recebê-lo, mas a sessão havia acabado. A questão será analisada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Além do impacto da derrota - o relatório aprovado confirmou que o "mensalão" existiu -, a condução dos trabalhos pelo colega de partido Delcídio Amaral (MS), presidente da comissão, também revoltou os petistas. O senador não aceitou nenhuma discussão sobre destaques ao texto, levando o PT a abrir mão de votar. Depois, ainda cortou os microfones dos petistas que reclamavam.
"Fiquei nervoso, chamei ele de Judas", reconheceu o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), que discutiu - com palavrões - com Amaral. Segundo recurso entregue por Cardozo, o presidente da CPI desrespeitou todas as normas regimentais na sessão de quarta. "Essa votação foi absurda! Nunca vi nada igual em CPI", dizia, revoltado, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
Carequinha - Enquanto os governistas reclamavam e ensaiavam uma forma de anular o resultado, a oposição e o relator da CPI, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) comemoravam bastante a aprovação do relatório. Serraglio - apelidado de "carequinha" pelos colegas de CPI - saiu da sessão da CPI carregado nos ombros de parlamentares depois de resistir aos pedidos de mudança do PT.
"Foi a vitória da investigação correta", disse ele. "Aquele relatório paralelo do PT foi uma tentativa de impedir a votação do meu. Foi um bode na sala para tomar meu tempo." Serraglio afirmou ainda que sua vitória foi "suada". "Foram dez meses de dedicação exclusiva. Mas estou com a consciência limpa porque não tergiversei e nem procurei prejudicar ninguém", disse ele.


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