21/04/2006 - 10:57
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Brasil

Depoimento de Thomaz Bastos 'satisfaz' o governo. Mas Oposição o quer no Senado

Silvio Nascimento

Depois de passar oito horas nesta quinta-feira dando explicações sobre o seu envolvimento no caso da quebra do sigilo ilegal do caseiro Francenildo Costa, à CCJ da Câmara, o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, não deve escapar de novo depoimento, desta vez no Senado. Ele negou participação no caso e na estratégia de defesa do ex-ministro Antonio Palocci e alegou ter indicado um advogado a ele por 'dever' ao companheiro de governo na época.

 

Informações do Palácio do Planalto davam conta ainda nesta quinta-feira que o governo reagiu bem ao depoimento do ministro e esperava assim encerrar a crise criada com a quebra do sigilo. Segundo um assessor do governo ficou 'claro a tática da oposição em querer envolver o presidente Lula no caso da quebra de sigilo'. O presidente Lula por seu lado teria ficado satisfeito com o depoimento e analisado que governo poderia cumprir sua agenda normalmente.

 

O ministro das Relações Institucionais,Tarso Genro, considerou o depoimento "esclarecedor". 'O ministro foi firme e não deixou nenhuma dúvida sem resposta.' Genro disse ainda que nunca na história do país, a PF trabalhou e investigou tanto em todas as esferas até do próprio poder. Acrescentou que o governo está tranqüilo e seguro com relação ao desempenho do ministro. O porta-voz André Singer disse que Lula gostou do desempenho do ministro da Justiça na CCJ.

 

Mas a oposição continua firme na sua proposta tirara mais explicações do ministro da Justiça. O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), ingressou com representação na Comissão de Ética Pública em que pede a demissão do ministro. Ele acusa Thomaz Bastos de ter oferecido "serviço jurídico especializado" para que o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) "enfrentasse adequadamente" a denúncia de mando de violação do sigilo bancário do caseiro.

 

O líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA), disse que Bastos já não tem condições de permanecer no cargo. "O ministro perdeu a confiança da sociedade, cometeu um crime de Estado e não tem mais condições de continuar no cargo. Ele está sob suspeita do pais inteiro."

 

Os tucanos querem acesso ao sigilo telefônico dos assessores de Bastos, Daniel Goldberg e Cláudio Alencar. O PPS pede que esses assessores e o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso também se expliquem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ).

 

Além disso, líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que decidiu manter seu requerimento de convocação do ministro para o Senado. O tucano disse que ouviu parte dos esclarecimentos de Bastos na CCJ e considerou que o ministro respondeu com evasivas, não foi objetivo.

 

Ao sair da Câmara, Thomaz Bastos disse que irá onde for chamado. 'É uma experiência gratificante vir ao Congresso. Tenho um respeito supersticioso pelo Congresso Nacional, porque é aqui que se realiza a plenitude da democracia representativa. Vim aqui, respondi a todas as perguntas e, se for convocado a qualquer outra instância, irei com toda a honra."

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