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Depoimento e liminar 'inflamam' oposição, que pede demissão de Palocci. Lula resiste
A combinação entre o depoimento firme do caseiro Francenildo dos Santos Costa e a ordem judicial que determinou a suspensão da sessão, na tarde de quinta-feira, foi explosiva para a oposição ao governo Lula. Inflamados, os parlamentares do PFL e do PSDB passaram a defender abertamente a demissão do ministro Antonio Palocci. O governo, contudo, garantiu a sua permanência.
A confusão começou logo depois que caseiro, conhecido como Nildo, iniciou seu depoimento à CPI dos Bingos. Falando com muita convicção, reconheceu uma foto do ministro Palocci e confirmou ter visto o petista na chamada "mansão do lobby", casa alugada por ex-assessores de Palocci em Brasília para suposta prática de tráfico de influência. "Falo até a morte", disse o caseiro.
Momentos depois, para revolta dos integrantes da CPI, chegou a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do PT, para que a sessão fosse suspensa. A partir daí, os oposicionistas se mobilizaram para atacar o governo - acusado de estar por trás do pedido de liminar do STF - e Palocci. No PSDB, por exemplo, sua demissão foi requisitada abertamente pelo líder do Senado.
"O PSDB cobra a demissão por entender que a economia está madura, que não vale mais o argumento de que ela se desestabiliza", disse o líder, Arthur Virgílio (AM). Pedro Simon (PMDB-RS) pediu afastamento de 30 dias. Já Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) foi além: "A grande verdade é que esse é um governo de ladrões. Tem homens sérios? Tem. Mas no PT e no governo tem ladrões."
Celso Daniel - O autor do pedido ao STF, o senador petista Tião Viana (PT-AC), defendeu sua decisão, dizendo que o depoimento do caseiro poderia "destruir a família" de Palocci - Nildo havia dito em entrevista que havia festas com garotas de programa na mansão supostamente freqüentada por Palocci. Viana afirma também que a CPI dos Bingos não pode mais extrapolar as funções.
Ele enumera outros sete assuntos que, conforme o PT, não deveriam ser tratados na comissão, como o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, o transporte de dólares vindos de Cuba para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as acusações de caixa dois no PT e, mais uma vez sobre Palocci, as denúncias de irregularidades na Prefeitura de Ribeirão Preto.


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