23/05/2006 - 17:30
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CPI dos Bingos

Delúbio nega as doações de bingos a Lula

Guilherme Amorozo

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou, durante seu depoimento à CPI dos Bingos nessa terça-feira, desconhecer qualquer doação de empresários donos de casas de bingo para a campanha presidencial de Lula em 2002 e admitiu que o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, pagou as dívidas de Lula junto ao PT. "O PT apresentou algumas dívidas não saldadas. Okamotto pagou a dívida. Cobrei de Okamotto e ele pagou." Ao ser questinado sobre uma possível articulação entre Waldomiro Diniz e as casas de bingo do Rio de Janeiro pelo relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), e pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP), Delúbio também negou ter conhecimento sobre a prática de caixa dois na campanha. "Não tenho conhecimento nenhum que isso [doação de casas de bingo] ocorreu em 2002. Conheço [Waldomiro Diniz]. Mas ele não participou da campanha de 2002."

Além de afirmar que nada sabe sobre as duas supostas doações para a campanha presidencial de Lula - a primeira, de 1 milhão de reais, feita por empresários de bingo e a segunda, também de 1 milhão de reais, feita por bicheiros do Rio de Janeiro -, Delúbio ainda argumentou que não teve participação nas conversas sobre a proposta de legalização dos bingos pelo governo Lula, contrapartida às supostas doações de recursos. Questionado sobre como conheceu o empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o principal operador do 'mensalão', Delúbio explicou-se dizendo que foi apresentado a ele pelo deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).

Segundo informa a Folha se S.Paulo, o relatório final da CPI dos Bingos apontará indícios que comprovariam essa doação em troca do envio, ao Congresso Nacional, de um projeto do governo que regulamentasse o funcionamento do setor. De acordo com o jornal, a CPI teria identificado coincidências que comprovariam a veracidade da acusação feita pelo advogado Rogério Tadeu Buratti de que o dinheiro chegou à campanha de Lula por intermédio do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Uma das evidências seriam telefonemas trocados pelos envolvidos nos dias anteriores à negociação.

Sem compromisso - Delúbio, por orientação de seus advogados, não assinou o termo de compromisso de falar a verdade durante o depoimento. O fato foi informado antes do início da sessão pelo presidente da CPI dos Bingos, senador Efraim Moraes (PFL-PB) e levou o senador José Agripino (PFL-RN) a afirmar que o depoimento do ex-tesoureiro "não tem nenhum compromisso com a verdade". Moraes, no entanto, afirmou que a recusa em assinar o termo de compromisso não invalida o depoimento, uma vez que o regimento interno da CPI impede que isso aconteça.

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