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Delegado complicou o ministro Palocci. Ele poderá ser citado em relatório final da CPI
O depoimento do delegado responsável por apurar as denúncias de irregularidades na gestão de Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto complicou a situação do ministro da Fazenda na quinta-feira. Em depoimento à CPI dos Bingos, Benedito Antônio Valencise afirmou que já há indícios suficientes para se pedir o indiciamento de Palocci por três crimes, incluindo peculato.
Valencise lembrou que pesam contra Palocci os testemunhos do ex-assessor Rogério Buratti, além de documentos como notas frias e planilhas forjadas, comprovando o esquema em Ribeirão Preto. Conforme ele, o conjunto de provas indica que seria impossível o funcionamento do esquema sem o conhecimento de Palocci e seu sucessor, Gilberto Maggioni. O inquérito deve sair em 60 dias.
"Tratava-se de um esquema muito grande, envolvendo muitas pessoas, impossível de ser mantido por funcionários subalternos", o delegado afirmou. Confirmando o que dissera Buratti, as ordens para superfaturar contratos com a empresa Leão Leão vinham dos próprios prefeitos. Em falas anteriores Palocci e Maggioni negaram qualquer envolvimento em esquema ilegal em Ribeirão Preto.
No parecer - Depois do depoimento do delegado, o relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que a situação de Palocci ficou mais complicada agora. Ele estuda incluir o ministro no seu parecer final. "A situação dele tem se agravado, mas precisamos esgotar a investigação", disse ele, que confirmou que as apurações indicam envolvimento do ministro.
Durante toda a sessão da CPI, Valencise chamou Palocci de "prefeito", e não ministro, para tentar se esquivar dos ataques dos petistas da CPI - deixando claro, assim, que as denúncias se referem à gestão dele em Ribeirão Preto, não ao governo Lula. No entanto, os petistas tentaram desqualificar o depoimento dizendo que as acusações se baseiam apenas no testemunho de Buratti.
Para completar, os petistas buscaram atacar o delegado, trazendo à tona acusações de tortura de suspeito de envolvimento num seqüestro, proteção a subordinados acusados de maltratar presos e de erros em investigações. O delegado negou as acusações. "Lamento que não haja um só argumento dos governistas em favor do ministro", disse o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT)


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