Arquivo
Brasil
CPIs listam 161 ligações telefônicas entre amigo de Lula e envolvidos em 'mensalão'
Apesar da ação do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, as CPIs dos Bingos e dos Correios obtiveram indícios da ligação entre o petista (amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) e dois dos principais envolvidos no caso do "mensalão", Duda Mendonça e Delúbio Soares.
De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, Okamotto conversou diversas vezes por telefone com a agência do ex-marqueteiro do PT e com o ex-tesoureiro do partido. Os telefonemas foram registrados tanto antes como depois da posse de Lula. No total, houve 161 ligações telefônicas entre ele e os principais investigados do "mensalão".
Como o STF impediu a quebra dos sigilos, as CPIs tiveram de cruzar dados e buscar registros de ligações telefônicas de Paulo Okamotto dentro das listas de telefonemas dos outros investigados - como Duda, Delúbio, o ex-ministro José Dirceu e o antigo secretário-geral petista Silvio Pereira. Todos eles já tinham os seus dados telefônicos colocados à disposição das comissões.
Dívida - Okamotto, que costumava arrecadar recursos para o PT, é investigado em CPIs em duas frentes. A primeira diz respeito a uma quitação de dívida de Lula com o PT. Okamotto disse ter pago 29.400 reais ao partido, do próprio bolso, como um "favor" a Lula. Os integrantes de CPIs suspeitam que o dinheiro tenha sido obtido com Delúbio ou Duda, através do próprio "mensalão".
A segunda acusação que pesa contra ele surgiu no depoimento do economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-petista, que apontou o amigo do presidente como responsável por obter recursos de caixa dois entre empresas com contratos em prefeituras do PT. Ele desmente todas as acusações. Em função da lista dos telefonemas, as CPIs tentarão outra vez a quebra dos sigilos de Okamotto.


Comentários