03/03/2006 - 08:44
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Brasil

CPIs esquentam com surgimento de dados contra Duda Mendonça e petista Okamotto

Giancarlo Lepiani

Depois de algumas semanas de poucas novidades, as CPIs que investigam as denúncias contra o governo Lula e o PT voltaram a se agitar nesta quinta-feira, com o surgimento de informações que complicam a situação do publicitário Duda Mendonça e de Paulo Okamotto, petista e presidente do Sebrae. Os novos fatos prometem esquentar o clima nas comissões a partir da semana que vem.

Na CPI dos Correios, a repercussão foi em torno das primeiras análises da quebra de sigilo da conta Dusseldorf, que Mendonça mantém no exterior. A constatação de que Duda abriu a conta antes do que dissera à comissão - e que a movimentação em dólares foi maior do que ele havia dito - levou o subrelator, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), a chamar o marqueteiro de "mentiroso".

"Agora, quando ele voltar para o próximo depoimento, essas mentiras serão mais difíceis de sustentar", afirmou o tucano sobre o novo depoimento de Duda, marcado para o dia 15. O relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) chegou à mesma conclusão, ainda que com termos menos contundentes. "Há discrepâncias com suas afirmações. Há suspeita fortíssima de que não tenha falado a verdade."

No primeiro depoimento à CPI, Duda disse que abriu a Dusseldorf a pedido do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, que teria prometido pagar os serviços prestados ao PT através dessa conta. A análise inicial da quebra do sigilo indica, contudo, que ela já existia antes. "Essa operação com o PT é só a ponta do iceberg", disse o outro subrelator, Maurício Rands (PT-PE).

Okamotto - Na CPI dos Bingos, a agitação foi em torno da divulgação pelo jornal O Estado de S. Paulo de que Okamotto, amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trocou o menos 161 telefonemas com os principais envolvidos no escândalo do "mensalão". O STF havia vetado a quebra de seu sigilo telefônico, mas os parlamentares conseguiram os dados de outra maneira.

Como os envolvidos no "mensalão" já tiveram seus sigilos quebrados, foi preciso cruzar dados e buscar ligações deles para os números de Okamotto. A conclusão de que ele falava com os pivôs da crise antes e depois da posse de Lula levou integrantes da CPI a defender a reconvocação de Okamotto. A votação do requerimento para i novo depoimento deverá ocorrer na semana que vem.

Na avaliação do senador Romeu Tuma (PFL-SP), as ligações telefônicas mostram "claramente" o elo entre Okamotto e os suspeitos do "mensalão". "Ele deveria até se oferecer para depor", disse Tuma. O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), diz que a lista de telefonemas pode fazer com que Okamotto tenha problemas para barrar novamente as investigações através do STF.

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