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CPI rejeita a convocação de Daniel Dantas
Os integrantes da CPI dos Bingos rejeitaram nesta terça-feira - por seis votos a cinco - o requerimento que pedia a convocação do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. A ausência de Dantas na CPI representa uma vitória dos governistas. De acordo com a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), as investigações sobre o banco Opportunity já estão sendo feitas no fórum adequado, que é o Ministério Público. A oposição, por outro lado, reagiu ao resultado. O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) afirmou que o veto ao depoimento de Daniel Dantas é um grande equívoco do governo. "Eu quero crer que esta questão, mais dia menos dia, será esclarecida", disse o senador.
Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, defendeu o encontro que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, teve com o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, na semana passada. Para Genro, Thomaz Bastos exerceu uma "missão institucional". A reunião entre Thomaz Bastos e Dantas, na casa do senador da oposição Heráclito Fortes (PFL-PI), foi revelada por VEJA em sua edição desta semana.
O encontro não constava da agenda de Thomaz Bastos. "Não vejo nenhum problema na reunião. Pelo contrário. Ficou absolutamente claro que o ministro recebeu informações e afirmou ao sr. Daniel Dantas que a Polícia Federal vai fazer o inquérito, uma missão institucional, cumprida de maneira correta e adequada pelo ministro Márcio", afirmou Genro.
VEJA apurou que durante o encontro Dantas e Bastos celebraram uma trégua. O governo não colocaria a Polícia Federal na cola do banqueiro desde que Dantas e seu investigador fechassem a boca - e que o banqueiro segurasse seus sócios e cúmplices, caso eles viessem a ser convocados a depor na CPI dos Bingos. As partes admitem o encontro, mas negam o acordo.
Genro não respondeu sobre a "trégua". Afirmou que questões técnicas só poderiam ser respondidas por Thomaz Bastos. "Estou respondendo politicamente", disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
Bastos - Também nesta segunda-feira, Marcio Thomaz Bastos confirmou ter se reunido com o banqueiro. O ministro disse, porém, que não errou ao conversar com Dantas, já que não falou de nenhum assunto "impróprio" com ele. Bastos afirmou que Dantas pediu a audiência para se explicar em relação ao caso e defendeu a sua presença no encontro, que se deu na casa do senador Heráclito Fortes (PFL-PI). "Ele disse que ia me entregar uma carta dizendo que nunca tinha investigado nem passado informação nenhuma a órgão de imprensa. Foi uma conversa como outra qualquer. Não entendo por que tanta celeuma."
O ministro confirmou ainda que os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Sigmaringa Seixas (PT-DF) compareceram à reunião e que ambos podem revelar o teor do encontro. "Eu disse que a PF vai investigar de maneira impessoal e séria", afirmou Bastos relatando um outro trecho da sua conversa com Dantas. O ministro assegura que a Polícia Federal levará a investigação do caso até as últimas conseqüências. Conforme ele, o Ministério Público acompanhará a apuração. A PF, contudo, considerou "negativo" o fato de Bastos ter se reunido com Dantas.
Suspeitas -
Na avaliação dos agentes que investigam o dossiê entregue por Dantas, essa reunião emite sinais contraditórios às vésperas do depoimento do banqueiro à PF. Dantas terá de falar sobre os documentos que apontam supostas contas, em paraísos fiscais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades.

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