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Contradição de Poleto irrita CPI, que pede indiciamento. Habeas corpus evitou prisão
O depoimento do economista Vladimir Poleto, ex-assessor do ministro Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, provocou revolta na CPI dos Bingos, na quinta-feira. A tentativa do depoente de desmentir sua entrevista a VEJA sobre o transporte das caixas que esconderiam dólares de Cuba para a campanha do PT em 2002 quase o colocou na cadeia. Poleto deverá ser indiciado.
Poleto iniciou sua fala tentando desmentir a reportagem que revelou o episódio - e afirmando que não autorizara a gravação de seu relato. Diante da exibição da gravação no site de VEJA, pouco depois, confirmando que ele consentira com a gravação e que falara tudo o que publicou VEJA, Poleto enfrentou a ira dos senadores - que o acusaram de mentir e desrespeitar a comissão.
Constrangido, Poleto ainda foi defendido por alguns senadores do PT. A exibição das provas, contudo, fez até o bloco petista da CPI abandoná-lo às críticas duríssimas da oposição. Poleto só não foi detido na hora porque chegou à CPI protegido por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Vários senadores, no entanto, pediram seu indiciamento imediato.
"Não tenho mais o que perguntar nem o que ouvir", disse, irritado, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Já Heráclito Fortes (PFL-PI) lamentou que a CPI tivesse sido submetida ao fiasco de ouvir as mentiras do depoente. Magno Malta (PL-ES) pediu que a CPI procurasse o STF para revogar o habeas corpus, possibilitando que Poleto saísse preso do Congresso. Isso não aconteceu.
Abstenção - Ainda em função do depoimento vexatório de Poleto, os senadores da CPI pediram ao Ministério Público e à Polícia Federal a prisão preventiva do economista, sob acusação de falso testemunho. Eduardo Suplicy (PT-SP), que no início procurou defender Poleto, também votou a favor do pedido de indiciamento, mas se absteve de votar sobre o pedido de prisão preventiva.
O argumento de Poleto de que tinha bebido antes de conceder a entrevista ainda o tornou alvo de piadas dos senadores - assim como a "falta de memória" dele, que dizia não lembrar da conversa com a revista. Depois de ouvir uma gravação sua, ele disse que a voz era mesmo sua, mas estava diferente na fita. "Tinha bebido nesse dia também?", provocou Heráclito Fortes (PFL-PI).


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