14/03/2006 - 07:50
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Câmara

Conselho deve votar a cassação de Cunha

Katia Perin

O Conselho de Ética da Câmara deverá aprovar nesta terça-feira o pedido de cassação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, acusado de envolvimento no esquema de mensalão. A votação foi suspensa na terça-feira da semana passada, depois da apresentação do parecer do relator, Cezar Schirmer (PMDB-RS), que pediu a cassação do petista em um relatório considerado contundente pelos conselheiros. No parecer, Schirmer aponta que João Paulo mentiu ao explicar saques no Banco Rural e diz que houve irregularidades na contratação da agência do publicitário Marcos Valério no período em que o deputado era presidente da Câmara.

O relator usou o depoimento de João Paulo e documentos apresentados pela defesa para justificar o pedido de cassação. Para comprovar a tese de tráfico de influência, o relator detalhou a relação próxima de João Paulo com Marcos Valério, citando um café da manhã na residência oficial da presidência da Câmara em 3 de setembro de 2003 - um dia antes do saque de 50.000.

Além disso, Schirmer lembra que a SMPB foi responsável pela campanha à Prefeitura de Osasco em 2004. "Não é crível que tais fatos não tenham entre si conecção inexplicável e comprometedora", diz Schimer.

Cunha confirmou que sua mulher, Márcia Milanésio, sacou 50.000 reais da conta da SMPB, empresa de Marcos Valério Fernandes de Souza, na agência do Banco Rural em Brasília. A confirmação, no entanto, só foi feita pelo petista depois de ele ter apresentado uma versão de que Márcia teria ido ao banco para reclamar de erro em uma fatura de TV por assinatura.

Nesta terça, João Paulo promete um contra-relatório para rebater o parecer. Ele também passou a admitir a hipótese de recorrer ao Supremo Tribunal Federal, seguindo os passos do ex-ministro José Dirceu. A porta-voz será a líder da tropa de choque petista no conselho, Ângela Guadagnin (SP). "O contra-relatório rebaterá ponto por ponto as acusações do relator e mostrará o quanto há de forçado nas acusações contra João Paulo", disse ela.

João Paulo passou a segunda-feira reunido com seus assessores elaborando a defesa que fará na sessão desta terça. O petista será o último a falar no processo antes de iniciar a votação. O conselho tem 15 titulares, mas o presidente do colegiado, Ricardo Izar (PTB-SP), só vota em caso de empate.

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