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Confusão e revolta recebem a nona 'pizza'
Um clima de tumulto e indignação marcou a sessão que absolveu mais um deputado envolvido no escândalo do mensalão na noite de quarta-feira. Diante da ausência de dezenas de deputados da base aliada ao governo - que, ao reduzir o quórum, ajudaram José Mentor (PT-SP) a fugir da cassação -, os deputados protestaram e reclamaram, assim como os representantes da sociedade civil.
A manifestação de maior impacto foi a de um grupo de deputados de oposição que desafiou as regras da Câmara e mostrou votos à galeria, deixando claro que estavam votando em favor da punição a Mentor. Entre os participantes do protesto, que poderia até ser punido com perda de mandato, estão 7 deputados do PSOL, 6 do PV e uma do PSB - Luiza Erundina, ex-colega de Mentor no PT.
Pelo código da Câmara, revelar o voto secreto pode ser considerado quebra de decoro. Para o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o deputado "tem o direito de falar que votou de um jeito ou de outro, mas mostrar o voto não é recomendável". Um dos líderes do protesto, Zequinha Sarney (PV-MA), disse que fará o mesmo em todas as sessões de cassação: "Podem nos punir".
'Nem satanás' - Entre os partidos da base aliada ao governo, PT, PP e PTB tiveram dez deputados ausentes cada, aumentando as chances de absolvição de Mentor. O PL teve 9. Mas o grande ausente foi o PMDB, com 15 faltosos de um total de 83 deputados. O quórum, assim, foi de apenas 432 deputados. "Com esse número, nem satanás seria condenado", disse José Thomaz Nonô (PFL-AL).
Para Ricardo Izar (PL-SP), o presidente do Conselho de Ética - que recomendou a cassação de Mentor -, a absolvição mostra que "os deputados não acham que caixa dois é crime". Izar lamentou o "desprezo" do plenário em relação ao Conselho de Ética. Para o presidente da OAB-SP, Luiz D'Urso, a absolvição foi política - e quem escapou no plenário ainda deve responder na Justiça.


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