20/04/2006 - 08:06
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Brasil

Com salvo-conduto, compadre de Lula vai à CPI. Bastos defende sua conduta na CCJ

Giancarlo Lepiani

Depois de uma semana inteira de disputa política e judicial, a oposição finalmente ouve nesta quinta-feira os alvos da vez na crise - o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Marcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça. A situação de ambos para o depoimento, contudo, é melhor do que os oposicionistas esperavam no começo desta semana.

No caso de Bastos, o depoimento desta quinta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara ocorre depois da divulgação do relatório parcial da Polícia Federal sobre a quebra ilegal de sigilo do caseiro Francenildo Costa. O documento, divulgado na quarta-feira, não citou nenhuma vez o ministro da Justiça no escândalo. Na sessão, ele negou paticipação na operação ilícita.

"Quem está aqui é um ministro que não maculou o seu mandato nem as suas obrigações, que não se deixou perder nos caminhos da ilegalidade", disse Bastos na abertura dos trabalhos. "Tudo o que fiz foi absolutamente dentro das atribuições estritas de ministro da Justiça." O ministro afirmou ainda que não foi o organizador da estratégia de defesa jurídica de Antonio Palocci.

Conforme Bastos, seu papel se restringiu à indicação de um advogado para o então ministro. "Não tentei acobertar ou proteger ninguém", garantiu. Sobre as suspeitas de participação direta na violação, ele reiterou: "Não participamos, nem eu nem meus assessores. Nos dedicamos, desde o primeiro dia da crise, pela dedicação à Polícia Federal que fizesse o inquérito rigoroso."

Compadre - Teixeira, que deveria falar à CPI dos Bingos na terça-feira mas não compareceu à sessão alegando ter sido avisado em cima da hora, iria à comissão na manhã desta quinta munido de um salvo-conduto que lhe garante o direito de não ser preso durante o seu depoimento. O benefício foi concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, na quarta.

No entendimento de Mendes, o compadre de Lula vai falar à CPI na condição de acusado - assim, não precisará assinar termo de compromisso garantindo que dirá a verdade, além de ter o direito de não responder perguntas que possam incriminá-lo. Teixeira iria à CPI para responder a denúncias de corrupção em prefeituras do PT com envolvimento direto de consultoria ligada a ele.

Teixeira adiantou que rebaterá as acusações, assim como fez outro amigo de Lula, Paulo Okamotto, ao participar de acareação com o autor das denúncias, o economista Paulo de Tarso Venceslau, expulso do PT. Também avisou que os parlamentares que forem à sessão para tentar perguntar sobre a ligação pessoal com Lula vão "quebrar a cara", indicando que não aceitará provocações.

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