Câmara

Cassação 'abre porteira', dizem deputados

Giancarlo Lepiani

A cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) poderá abrir o caminho para uma série de punições semelhantes no decorrer das próximas semanas. Para os deputados que participaram da votação que puniu o autor da denúncia do mensalão, novas cassações virão no rastro do resultado de quarta - temia-se que uma eventual absolvição de Jefferson evitasse essas punições.

"Abriu a porteira. Agora quem não quiser ser cassado que renuncie", disse o deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP), colega de partido de Jefferson. Entre a oposição, a opinião era a mesma. "A Câmara deu uma clara demonstração de que vai punir todos os que quebraram decoro parlamentar. Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém", disse Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

De acordo com os deputados, o próximo da fila deverá ser o ex-ministro José Dirceu (PT-SP), que já sofre processo de cassação no Conselho de Ética e pode enfrentar uma votação no plenário em breve. Sandro Mabel (PL-GO) e Romeu Queiroz (PTB-MG) também enfrentam processos no conselho. Outros treze deverão ter processos abertos nos próximos dias. Antes, alguns podem renunciar.

A defesa - Entre os partidários de Jefferson, a votação da cassação provocou frustração - apesar de todos os sinais apontando que haveria punição, eles acreditavam até o fim da sessão na absolvição do deputado. "Lamento profundamente, porque ele pagou o preço por ter falado e mostrado coisas que ninguém conhecia", reclamou o líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio (PE).

Outro petebista que se dedicou à defesa de Jefferson, Nelson Marquezelli (SP), disse que a cassação foi um erro, e que apenas a punição aos alvos das denúncias do deputado apagará isso: "Estamos surpreendidos com a votação. O denunciante foi cassado. Vamos ver se os denunciados também serão". O suplente que substituirá Jefferson é o ex-deputado Fernando Gonçalves (PTB-RJ).

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