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Investigação
Segundo caseiro, o extrato foi tirado na PF
O caseiro Francenildo Costa, o Nildo, que garante ter visto várias vezes o ministro Antonio Palocci na casa onde ex-assessores se reuniam supostamente para fazer lobby, disse que sua conta bancária foi violada quando estava dentro da Polícia Federal. O horário do extrato bancário onde foi revelado depósito de 25.000 reais na conta do caseiro Francenildo Santos Costa coincide com o período em que ele esteve na PF tratando de sua proteção pessoal. Ele disse ter sido levado para instalações da polícia na periferia de Brasília.
Na sede da PF, ele diz que foi retirado seu celular e, por 20 minutos, também teria ficado sem os documentos e o cartão da Caixa Econômica Federal. "Eu estava na proteção da polícia, num prédio da Polícia Federal, como é que eu iria sair para tirar um extrato?", perguntou ele.
O coordenador de Segurança Institucional da PF, Wilson Damázio, confirmou que, na quinta-feira, o caseiro ficou sob a guarda da PF até por volta das 21h30m. Damázio explicou em reportagem do jornal O Globo que foram pedidos os documentos do caseiro, inclusive o cartão bancário, para fazer cópias. Segundo o delegado, esse procedimento é de praxe quando uma pessoa dá entrada no programa de proteção a testemunhas.
A PF negou envolvimento na quebra do sigilo do caseiro, já que só haveria duas formas de fazê-lo: havendo decisão judicial, o que não ocorreu, ou com o conhecimento da senha de Nildo, o que não era o caso.
Parlamentares do PSDB e do PFL acusam o governo de ter quebrado sem autorização judicial o sigilo do caseiro. Os governistas tentaram desqualificar o depoimento do caseiro à CPI dos Bingos e insinuaram que ele teria recebido dinheiro para fazer as acusações contra Palocci. Nildo afirma ter visto várias vezes na casa onde seus ex-assessores acusados de tráfico de influência se reuniam. Palocci nega.
Notícia-crime - O advogado de Costa, Wlicio Chaveiro do Nascimento, protocolou notícia-crime na tarde desta segunda-feira, no Ministério Público Federal contra a CEF pela violação do sigilo bancário. A notícia-crime será distribuída a um procurador que depois de analisar o caso poderá decidir pela instauração de inquérito.
A Caixa Econômica Federal vai apurar se houve participação de funcionários na divulgação de dados da conta bancária de Costa. Em nota à imprensa nesta segunda-feira, a Caixa afirma que "instaurou procedimento de investigação" para apurar "no âmbito interno, eventuais responsabilidades".
E também nesta segunda, o senador Tião Viana (PT-AC) apresentou em Plenário requerimento solicitando a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. Ele pede acesso às informações do tipo depósitos à vista e a prazo em conta-corrente e poupança, pagamentos efetuados em moeda corrente ou cheques e informações sobre operações com cartões de crédito e quaisquer outras operações de natureza semelhante envolvendo a conta do caseiro que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil.
Ministro da Justiça - O Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos disse que a quebra do seu sigilo bancário "é uma violação grave e que será apurada. Estou chegando de Rondônia e me inteirando do caso", afirmou. Segundo ele, serão feitos esforços para esclarecer o que ocorreu. "O vazamento de informação é uma praga terrível que deve ser combatida. Por enquanto, não posso afirmar que houve falhas."


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