15/03/2006 - 12:47
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PF

Caseiro do caso Palocci não comparece

Katia Perin

O depoimento na Polícia Federal do caseiro Francenildo Santos Costa previsto para acontecer na manhã desta quarta-feira em Brasília, foi adiado. Segundo o advogado do caseiro, Wilcio Chaveiro, ele não compareceria ao depoimento mas ficaria à disposição para prestar esclarecimentos à CPI quando solicitado.

Francenildo era caseiro da mansão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, freqüentada por amigos e assessores que acompanham Antonio Palocci desde a administração de Ribeirão Preto. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Francenildo afirmou ter presenciado por diversas vezes visitas do ministro Palocci à casa montada por seus ex-assessores Rogério Buratti e Vladimir Poleto. A CPI dos Bingos suspeita que a residência tenha sido usada para negociações clandestinas feitas pelos ex-assessores do ministro. Palocci reiterou na terça-feira declarações que deu à CPI dos Bingos, de que nunca teria ido ao local.

Segundo o caseiro, Palocci esteve no imóvel "umas 10 ou 20 vezes" e era chamado por todos de "chefe". Na casa, disse Nildo, eram realizadas reuniões para organizar a distribuição de dinheiro por Brasília - além de festas animadas por garotas de programa, agenciadas, muitas vezes, por Jeany Mary Corner.

Ainda de acordo com o caseiro, o dinheiro distribuído era enviado de São Paulo mensalmente por Rogério Buratti, secretário de Governo de Ribeirão na primeira gestão de Palocci. Uma parte do dinheiro custeava as despesas de manutenção do imóvel e pagava os serviços dos empregados e as festas. O restante era distribuído entre os membros da república de Ribeirão. "Eu via as notas. Vi pacotes de 100 e de 50 reais na mala do Vladimir", afirmou. Vladimir Poleto, ex-assessor da prefeitura, costumava carregar maços de reais numa mala e pagava tudo com dinheiro vivo, até mesmo o aluguel dos seis primeiros meses da casa, num total de 60.000 reais.

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