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Em campanha, Lula viaja pelo país e avisa que quer um "anti-Dirceu" para se reeleger
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve começar a semana em ritmo de campanha. Ele fará uma incursão pelo Nordeste e pelo Norte, visitando, em dois dias, sete cidades, para inaugurações e lançamentos de obras, seis delas de universidades federais. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o presidente irá pela segunda vez ao Recife para a inauguração do Aeroporto dos Guararapes. Em 19 de setembro de 2004, Lula já havia participado da entrega do terminal de passageiros. Na terça-feira, ele vai inaugurar as novas pontes de embarque desse mesmo terminal.
Lula está pronto para nova maratona eleitoral. Em dezembro, ele deu mostras de como seria seu ritmo a partir do início do ano. Só naquele mês Lula fez 22 discursos defendendo as realizações do governo. Na maioria deles, bateu na tecla de que havia chegado a hora de colher o que plantara em três anos. No mês passado, foram 14 discursos, 1 pronunciamento em rede de rádio e TV, 5 entrevistas e 5 programas Café com o Presidente. Neste mês, já fez 11 discursos, concedeu 3 entrevistas e gravou 2 programas de rádio. Lula tem se apoiado principalmente no programa Bolsa Família, no aumento do salário mínimo, no fim da dependência em relação ao FMI e no programa do biodiesel.
Mesmo não admitindo publicamente que será candidato à reeleição, o presidente também tem tomado todas as precauções para não cometer nenhum erro que possa ser julgado pela Lei Eleitoral. No Palácio do Planalto, ainda de acordo com a reportagem do Estadão, as cerimônias para anunciar medidas do governo têm sido alvo de preocupação. Assessores do presidente avaliam que qualquer deslize será usado pela oposição para tentar impugnar a sua campanha. "É preciso impedir que solenidade de inauguração vire palanque eleitoral", comentou um interlocutor do presidente, segundo a reportagem.
O anti-Dirceu - Outra preocupação de Lula nesse início de campanha é escolher o novo coordenador-geral, cargo ocupado por José Dirceu na primeira eleição. O presidente já avisou que quer alguém com o perfil oposto ao do "estilo trator" do ex-chefe da Casa Civil. 'Eu não quero saber de poderoso chefão", afirmou o presidente, segundo relato de ministros. Os mais próximos a ele começam a se preocupar com a indefinição. Muitos avaliam que já seria hora de ter alguém pensando e agindo de forma mais efetiva nos preparativos da campanha. Mas Lula tem dito que não quer esvaziar o governo para anabolizar o comitê da reeleição.
Ele quer mostrar serviço no governo e ao menos por enquanto, julga que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o mais cotado para a função não deve deixar o cargo para coordenar a sua campanha. Lula também quer esperar "até o limite" pelo PMDB antes de escolher o vice de sua chapa. Mas, se for frustrado o sonho do casamento de papel passado com o partido que tem o maior tempo no horário eleitoral - hipótese mais provável -, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PSB), tem boas chances de fazer dobradinha com Lula.


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