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Câmara contraria conselho, absolve Brant e Luizinho e confirma acordo dos partidos
Depois de meses negando a existência de um acordo entre governo e oposição para impedir a punição aos envolvidos no escândalo do "mensalão", os integrantes da Câmara confirmaram na quarta-feira todos os temores a respeito desse suposto pacto: com voto em plenário, salvaram dois acusados - contrariando o parecer do Conselho de Ética, órgão que apurou as suspeitas contra eles.
Cada lado salvou um de seus representantes - os oposicionistas, Roberto Brant (PFL-MG), e os governistas, Professor Luizinho (PT-SP). Brant, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, escapou com 283 votos contra a cassação e só 156 a favor. O petista teve o seu caso votado em plenário logo depois e recebeu 253 votos favoráveis. O número de votos contra ficou em 183.
Com isso, já são quatro os parlamentares absolvidos no caso - além de Luizinho e Brant, o líder do PL, Sandro Mabel (GO), e o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) também já haviam sido poupados de punição, sendo que só Mabel tinha recomendação contrária à cassação pelo Conselho. Os próximos julgamentos, na semana que vem, serão dos pepistas Pedro Henry (MT) e Pedro Corrêa (PE).
Reciprocidade - A sessão de quarta teve os sinais mais claros até agora de que há entendimento entre os deputados para que os envolvidos não percam o mandato. Um dos discursos de defesa de Luizinho, por exemplo, foi feito por um pefelista, Mussa Demes (PI), que disse que o petista era "totalmente inocente". Ao mesmo tempo, ao menos 50 petistas votariam em favor do pefelista.
Um dos petistas envolvidos na caça aos votos para poupar Luizinho, Devanir Ribeiro (SP), confirmou que haveria a ajuda mútua. "Não chega a ser um acordo, mas espera-se uma reciprocidade", disse ele. Os próprios acusados disseram que votariam em favor um do outro. "Votei a favor do Brant e estou repetindo para mim", disse Luizinho. "Eu estou rezando por ele", devolveu Brant.
'Rodízio' - Para parlamentares contrários à absolvição e integrantes do Conselho de Ética, a sessão de quarta foi desastrosa. "Não é uma pizza apenas que está se montando nesta Casa, mas um verdadeiro rodízio: é uma pizza atrás da outra", afirmou Babá (PSOL-PA). O presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), se disse desapontado, pois acreditava que não haveria absolvição.
Izar apostava que o caso de Romeu Queiroz, cuja absolvição teve repercussão negativa, seria uma exceção, e que a tradição de se acompanhar o voto do Conselho seria retomada. "Mas isso se quebrou", lamenta ele. Para Julio Delgado (PSB-MG), também do conselho, a votação mostra o "corporativismo" dos deputados. "Vamos ver o resultado disto nas urnas em outubro", afirmou ele.
Sobre o suposto pacto entre governistas e oposicionistas para poupar os acusados, Delgado disse: "A comprovação do acordo é mais do que tácita. Os deputados do PT e PFL trocaram cortesias e afirmaram ter votado pela absolvição. Está claro o acordo, e isso deixa em xeque o trabalho do conselho." Até agora, só Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP) foram cassados.


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