22/03/2006 - 20:00
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Mensalão

A Câmara absolve Wanderval Santos (PL)

Marcio Oyama

O plenário da Câmara absolveu nesta quarta-feira o deputado Wanderval Santos (PL-SP) - apontado como um dos beneficiários do esquema do valerioduto -, contrariando recomendação do Conselho de Ética da Casa. Eram necessários 257 votos para que o parlamentar perdesse o mandato, mas apenas 242 votaram em favor da cassação (179 votaram contra). Houve 3 votos em branco e 20 abstenções

Santos admitiu ter recebido 150.000 reais das contas do empresário Marcos Valério de Souza no Banco Rural. Em sua defesa, alegou que o dinheiro - sacado por um de seus assessores - foi retirado a mando de Carlos Rodrigues (PL-RJ), que renunciou ao mandato de deputado, então líder do partido.

O argumento não convenceu o relator do processo movido contra Santos no Conselho de Ética, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que recomendou a cassação do parlamentar. O parecer de Alencar foi aprovado pelo conselho no dia 20 de janeiro e remetido ao plenário da Câmara. Dois pontos sustentavam o parecer do relator: a total responsabilidade do deputado acusado pelas ações dos seus assessores e o fato de ele admitir ter submetido seu mandato a outro deputado - no caso, Carlos Rodrigues.

Wanderval Santos chegou a recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contra o relatório de Alencar. O pedido de anulação do processo, no entanto, foi negado. Wanderval é o sexto deputado absolvido desde agosto de 2005, quando estourou o escândalo do mensalão. Apenas três foram cassados por enquanto.

Magno - Ainda na noite desta quarta, o plenário vota o processo contra João Magno (PT-MG), acusado de também fazer parte do esquema do mensalão. O petista recebeu 476.000 de Marcos Valério. Em sua defesa, Magno alega que recebeu os recursos - vindos de caixa dois do PT - por orientação da direção nacional do partido, para o pagamento de dívidas de sua campanha a deputado federal, em 2002, e a prefeito de Ipatinga (MG), em 2004. Entretanto, a prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas só foi feita em outubro de 2005 - depois do escândalo do mensalão.

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