09/04/2006 - 10:54
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Brasil

Bastos confirma a reunião com Palocci

Silvio Nascimento

 O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, confirmou no sábado ter participado, na tarde de 23 de março, de uma reunião com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Por meio de sua assessoria de imprensa, o ministro também confirmou que na reunião, na residência oficial do Ministério da Fazenda, também estavam o então presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, e o advogado criminalista Arnaldo Malheiros Filho, amigo de Bastos. Em nota, Thomaz Bastos negou que tenho ido tratar de uma solução para livrar Palocci do envolvimento da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, como conta a edição desta semana de VEJA.

Malheiros também confirma ter participado da reunião e, da mesma forma como o ministro Thomaz Bastos, alega ter ido à casa de Palocci para discutir que tipos de crimes teriam sido cometidos contra o caseiro.

Segundo funcionários do Ministério da Justiça, Bastos não tinha revelado que participara da reunião na casa de Palocci porque o fato parecia irrelevante. Naquele momento, não havia a revelação de Mattoso, dada na PF no dia 27, de que a cópia do extrato da conta do caseiro foi levada ao ex-ministro na noite do dia 16 pelo próprio ex-presidente da Caixa.

Neste domingo, Bastos resolveu antecipar sua ida ao Congresso Nacional, segundo sua assessoria de imprensa, para esclarer alguns dados sobre a suspeita de envolvimento de seus auxiliares na quebra de sigilo bancário do caseiro. A ida estava inicialmente agendada para depois da Páscoa.

Operação - Na semana passada, VEJA revelou que Palocci comandou a operação ilegal e que um alto funcionário do Ministério da Justiça - Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico - estava na casa do ministro no momento em que Mattoso lhe entregou um extrato com a movimentação bancária do caseiro. Na manhã seguinte, a pedido de Palocci, outro assessor de Thomaz Bastos - seu chefe-de-gabinete Cláudio Alencar - solicitou à PF que investigasse Francenildo por uma movimentação atípica em sua conta bancária. Em outras palavras, que transformasse uma vítima em suspeito de lavagem de dinheiro.

 

Apesar dos esforços do governo para esconder o fato, VEJA descobriu que, sete dias depois do convescote inicial na casa de Palocci, o próprio Thomaz Bastos foi à residência oficial do ex-ministro da Fazenda com uma missão ainda mais imprópria: descobrir uma maneira de encobrir a participação da cúpula do governo no crime. Essa segunda reunião ocorreu no começo da tarde de 23 de março. Além de Thomaz Bastos e Palocci, também estavam na casa Jorge Mattoso e Malheiros - este último convocado a Brasília pelo próprio ministro da Justiça. No encontro, Palocci e Mattoso não só discutiram o que falariam à Polícia Federal como também a possibilidade de, por 1 milhão de reais, arrumar um funcionário subalterno da Caixa que assumisse a responsabilidade pela lambança. Se conseguissem, tanto Palocci quanto Mattoso manteriam seus cargos.

 

A nota à imprensa divulgada pela AgÊncia Brasil:

"Em função de especulações e informações equivocadas veiculadas, hoje, a Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Justiça esclarece que:

1. "O ministro Márcio Thomaz Bastos não participou ou tomou conhecimento de encontro para articular suposta estratégia de defesa ou de cobertura para possíveis responsáveis pelo crime de quebra de sigilo do senhor Francenildo da Costa - ilegalidade que está sendo investigada pela Polícia Federal.

2. Thomaz Bastos compareceu a uma reunião com o Antônio Palocci, então ministro da Fazenda, na quinta-feira (23/03/2006), para apresentar o advogado Arnaldo Malheiros a Palocci. Durante o contato, Malheiros - que é um dos principais especialistas em direito penal do Brasil -, fez uma exposição, ouviu e falou sobre alguns aspectos genéricos da questão. No encontro, ao qual também esteve presente o então presidente da Caixa Jorge Mattoso, não houve qualquer menção à informação de que o executivo da Caixa havia entregado extrato bancário ao ministro Palocci.

3. Thomaz Bastos não participou de qualquer outro contato entre os citados no qual tenha sido proposto ou discutido qualquer pagamento a servidores ou envolvidos no caso. O ministro desconhece qualquer informação a respeito, o que já havido sido esclarecido reiteradamente à Veja.

4. Também ao contrário das informações veiculadas, o ministro da Justiça não declarou em momento algum que esteve totalmente incomunicável em sua viagem a Rondônia. Apesar das dificuldades naquela sexta-feira (17/03), houve possibilidades de contato telefônico com Brasília, na escala em Vilhena e Costa Marques, ocasião em que Thomaz Bastos falou com auxiliares no MJ.

5. O MJ reitera que, no primeiro dia útil após as divulgações de informações bancárias sigilosas do senhor Francenildo Costa foi aberto inquérito policial, conforme determinação do ministro da Justiça, feita já no dia anterior.

6. As investigações da PF estão avançando de forma totalmente independente e esclareceram a participação de servidores públicos no episódio, o que já resultou no indiciamento de duas pessoas. A apuração prossegue sob fiscalização do Ministério Público Federal, também por solicitação do próprio ministro da Justiça. O trabalho do Ministério da Justiça e da Polícia Federal tem sido, ao longo desse governo, marcado pela independência e pela impessoalidade.

Portanto, é completamente fantasiosa e infundada a alegada "cumplicidade" em ilações veiculadas pela revista Veja

 

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