26/04/2006 - 10:48
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Governo

Aumento de 14,5% nas despesas

Guilherme Amorozo

Os gastos do Governo Federal nos primeiros três meses de 2006 cresceram 14,5% segundo dados do Tesouro Nacional. As despesas da União, da Previdência Social e do Banco Central aumentaram 11,3 bilhões de reais no trimestre, atingindo 88,879 bilhões de reais no final do mês de março, contra 77,621 bilhões no mesmo período do ano passado. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tenha oficializado sua presença na corrida presidencial desse ano, as despesas podem ajudar no seu desempenho eleitoral.

Esse crescimento deve-se principalmente à elevação dos gastos para a manutenção da máquina pública e para remuneração de servidores, que, juntos, aumentaram 6,9 bilhões de reais. Isolados, os gastos com pessoal subiram 3,3 bilhões de reais, com destaque para o pagamento de dívidas judiciais e reajuste e pagamento dos servidores do Legislativo e Judiciário. "Isso correspondeu a 2 bilhões de reais", afirmou à Folha de S.Paulo o secretário-adjunto do Tesouro, Tarcísio Godoy. Outros 400 milhões de reais teriam sido usados para a criação de novos cargos no Ministério Público da União. Segundo Godoy, o Executivo responde pelo crescimento de 1,3 bilhões de reais nos gastos públicos federais, principalmente devido ao reajuste no salário dos militares.

Superávit menor - O crescimento dos gastos levou a uma diminuição na economia realizada pelo governo federal para o pagamento de juros que incidem sobre a dívida pública. O superávit primário no primeiro trimestre de 2006 foi de 3,06% do PIB, ou 14,6 bilhões de reais. Esse montante é menor que o alcançado no mesmo período de 2005, quando o superávit primário alcançou a cifra de 17,04 bilhões de reais, valor correspondente a 3,89% do PIB.

Com a aceleração nos gastos públicos, somados às despesas maiores da previdência Social e com pagamento de benefícios, analistas financeiros já admitem que será difícil cumprir meta fiscal estipulada para todo o setor público fixada em 4,25% do PIB em 2006. Segundo Godoy, o Ministério da Fazenda já considera a possibilidade de reduzir as despesas do governo federal para compensar os maiores gastos de Estados e municípios. "Essa é uma forma preventiva de o governo federal se antecipar a gastos adicionais de Estados e municípios, normais num ano de eleição. O compromisso é cumprir os 4,25% do PIB fixados para todo setor público, e a meta será atingida."

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