12/03/2006 - 09:46
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Brasil

Os acusados de operar o mensalão ainda controlam principais cargos do governo

Marcio Oyama

Os cargos mais cobiçados da União ainda estão sob o comando de apadrinhados dos principais acusados de operar o mensalão - com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada neste domingo, os ex-deputados José Dirceu (PT) e Valdemar Costa Neto (PL), além do deputado José Janene (PP), dividem os cargos de estatais como a Petrobras e órgãos como o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).

Levantamento feito pelo jornal nos últimos dois meses mostra que todos os 20 cargos mais visados da União sofreram indicação de partidos políticos e a maioria continua sob a batuta de Dirceu, Costa Neto e Janene. Os demais estão divididos entre as cúpulas do PT e do PMDB. As nomeações passam pelo crivo direto de Lula, do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e da chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.

Cinco diretorias da Petrobras aparecem na relação feita pelo Estado, todas sob influência de Dirceu e Janene, além do senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-diretor da empresa. Já o ex-deputado Costa Neto domina o DNIT, já que mobilizou sua bancada para eleger Aldo Rebelo (PCdoB) presidente da Câmara. Indicado por Costa Neto para a presidência do órgão, Mauro Barbosa coordena os gastos de quase 500 milhões de reais da operação tapa-buraco.

O uso de cargos para seduzir parlamentares não é invenção do governo Lula - ocorre desde a gestão Sarney, no final dos anos 80 -, mas é surpreendente que a crise do mensalão não tenha mudado nada, diz o Estado. "O escândalo não serviu de lição", diz o senador Jefferson Peres (PDT-AM). "Os mesmos mecanismos que geraram o escândalo são usados por Lula para administrar a crise. Certamente podemos esperar mais casos no futuro", prevê Cláudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil.

Procurada pelo jornal, a Petrobras respondeu, por e-mail, que "os cargos técnicos de gerência são ocupados por profissionais concursados". A Casa Civil, até a noite da última sexta-feira, não se manifestou, diz o jornal.

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