29/11/2005 - 06:55
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Brasil

Acordo entre Palocci e Dilma garante R$ 2 bilhões para investimento em ano eleitoral

Katia Perin

Acabou a troca de farpas pública entre os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Os dois se reuniram selaram um acordo político na manhã de domingo: ele fará em 2005 um arrocho fiscal maior, ela terá cerca de R$ 2 bilhões do Orçamento de 2006 liberados para investimentos (obras e projetos novos) já em janeiro e fevereiro. O resultado é de interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá disputar a reeleição no ano que vem.

Nesta segunda-feira, Palocci e Dilma se reuniram com Lula no Palácio do Planalto e conversaram normalmente. À tarde, participaram de reunião preparatória para a Junta Orçamentária, instância que analisa mensalmente para quais projetos e obras serão liberados recursos.

A junta deverá permanecer como está, apesar de seus poderes terem sido motivo de batalha entre os dois. Além das concessões políticas, eles decidiram superar a "personalização de discussões objetivas", nas palavras de um ministro. Ou seja: continuarão com divergências internas e uma relação de desconfiança mútua, mas sem guerra pessoal e pública.

À tarde, o ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, quebrou o silêncio sobre a briga dos colegas e confirmou que eles se acertaram no fim de semana. Wagner disse que os ministros atenderam ao pedido de Lula para que botassem um ponto final nas divergências. "A reunião foi absolutamente tranqüila. É bom que a relação dos dois esteja normalizada. Para mim, as divergências são página virada", disse Wagner.

Apesar da decisão de acelerar gastos no início do ano, o governo pretende cumprir a meta oficial de superávit primário -4,25% do PIB (Produto Interno Bruto). O ministro da Fazenda disse que o maior esforço fiscal deste ano manterá equilibrada a relação entre a dívida pública e o PIB e que os juros, em baixa, não elevarão essa relação no ano que vem.

O superávit primário de 2005 deverá terminar o ano na casa dos 4,7% (cerca de R$ 91,5 bilhões) do PIB. A meta oficial, de 4,25%, equivale a R$ 82,7 bilhões. A diferença de R$ 8,8 bilhões corresponde ao dinheiro liberado para investimentos em 2005 que não foi gasto. Esses R$ 8,8 bilhões representam 56% da autorização para investimentos.

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