06/04/2006 - 08:36
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Brasil

Absolvição de petista esvazia Conselho de Ética. Oito deputados prometem renunciar

Giancarlo Lepiani

A oitava absolvição de deputado envolvido no escândalo do "mensalão" voltou a provocar revolta entre integrantes do Conselho de Ética da Câmara nesta quinta-feira. A vitória do ex-presidente da Casa João Paulo Cunha (PT-SP), na quarta, com 256 votos na absolvição e apenas 209 pela cassação, deve esvaziar o Conselho - pelo menos oito deputados anunciaram que vão renunciar.

O primeiro a renunciar ao posto no Conselho é Cezar Schirmer (PMDB-RS), relator do processo contra João Paulo. "A absolvição  significa que pegar dinheiro de empresa não é aético, que mentir reiteradamente não é indecoroso e que fazer contrato ferindo o interesse público também não é aético", atacou Schirmer. O deputado classificou de "inaceitável" o resultado do plenário.

Também manifestam intenção de renunciar os deputados Júlio Delgado (PSB-MG), Nelson Trad (PMDB-MS), Chico Alencar (PSOL-RJ), Orlando Fantazini (PSOL-SP) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), titulares do Conselho, e mais dois suplentes, Marcelo Ortiz (PV-SP) e Cláudio Magrão (PPS-SP). Mais um titular, Benedito de Lira (PP-AL), também ensaia deixar seu posto em função da absolvição.

O presidente do Conselho, Ricardo Izar (PL-SP), foi pego de surpresa pelo anúncio das renúncias, e pediu uma reunião a portas fechadas com os integrantes do órgão. Ele teria obtido de pelo menos parte do grupo o compromisso de adiar as renúncias até a conclusão dos processos contra os outros envolvidos no mensalão. Os casos pendentes são de Vadão Gomes e José Janene (PP-PR).

Acordão - A absolvição ocorreu logo após a aprovação do relatório que reconhece a existência do "mensalão". Na avaliação do presidente do Conselho, Ricardo Izar, a absolvição foi resultado "do acordão entre PL, PP, PT e metade do PMDB". O relator do processo contra Cunha, Cezar Schirmer, concordou: "O que aconteceu é a expressão de compromissos recíprocos", lamentou ele.

Em referência a Ângela Guadagnin (PT-SP) - colega de Conselho de Ética que dançou no plenário depois da absolvição de João Magno (PT-MG) -, Schirmer disse que "quem dançou foi o povo brasileiro". A oposição atribuiu a absolvição aos governistas. "A oposição tem só 120 votos. Quem decide se cassa ou não cassa é a base do governo", disse o líder do PSDB, Jutahy Júnior (BA).

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