12/05/2006 - 09:52
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Corrupção na Câmara

No 'abafa', deputados criticam a PF e o MP

Giancarlo Lepiani

Enfrentando mais um escândalo e a poucos meses das eleições, a Câmara dos Deputados foi palco de mais um episódio inusitado - na quinta-feira, líderes dos partidos se mobilizaram não para investigar as denúncias de desvio de dinheiro público, mas sim para criticar a Polícia Federal e o Ministério Público, que apuram as acusações após a deflagração da Operação Sanguessuga.

Na quarta-feira, a Câmara já havia limitado sua investigação interna sobre a aprovação de emendas ao Orçamento para compra de ambulâncias superfaturadas a 16 dos 62 deputados citados na apuração da PF. Na quinta, os líderes foram além, devolvendo para a PF todas as listas de suspeitos e cobrando "explicações" de agentes, dos promotores do Ministério Público e até da Justiça.

Conforme os parlamentares, o assunto só será tratado pela Câmara quando a PF encerrar seus trabalhos. "O Ministério Público e a Polícia Federal têm o dever de concluir o trabalho de investigação antes de mandar para cá", afirmou o líder da bancada do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), depois de se reunir com as lideranças de partidos envolvidos, como PTB, PL, PSB e o PMDB.

Chinaglia também criticou a ex-servidora Maria da Penha Lino, indicada para o Ministério da Saúde no governo Lula, que disse à PF que havia um farto pagamento de propina a deputados. "Se uma funcionária lembrou e, com a delação premiada, está fazendo acusações a granel, isso é insuficiente", diz o petista, que também pressionou o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

'Imagem' - Para o líder governista, Aldo precisa fazer um discurso em rádio e TV para explicar o caso. "A Câmara tem de dar uma resposta à altura. Se tiver culpa, tem de ser punido. Mas uma lista misturando os que devem e os que não devem compromete a imagem da Câmara, da democracia." O corregedor da Casa, Ciro Nogueira (PP-PI), também atacou a PF e um juiz de Mato Grosso.

O magistrado, que é responsável pelo processo, foi acusado de irresponsabilidade por listar todos os deputados citados, mesmo os que não teriam envolvimento no esquema. Na oposição, também houve reação. O líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), disse que o vazamento de listas que misturam possíveis envolvidos com outros apenas citados seria uma estratégia para ajudar os culpados.

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