11/01/2006 - 07:29
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CPI dos Correios

A 3 meses do encerramento dos trabalhos, 6 bilhões de reais ainda são uma incógnita

Marcio Oyama

Faltando apenas três meses para o fim dos trabalhos da CPI dos Correios, ainda não foram identificados a fonte e os beneficiários de cerca de 6 bilhões de reais movimentados em contas bancárias de empresas sob investigação. Todas tiveram o sigilo bancário quebrado há mais de cinco meses.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o volume corresponde a operações feitas em agências do Banco Real. As principais empresas investigadas pela CPI que mantêm contas no banco são a Visanet, a empresa de publicidade Duda Mendonça Associados, a empresa de aviação Skymaster Airlines e a operadora de telefonia Telemig Celular.

Os arquivos de computador enviados pelo Real à CPI, atendendo às decisões de quebra de sigilo dos investigados, teriam chegado incompletos à CPI. Assim, a comissão ainda não sabe de onde vieram 3 bilhões de reais que abasteceram tais contas e também desconhece quem foram os beneficiários dos outros 3 bilhões.

Ainda segundo a Folha, o Banco Real reconheceu, em nota, falha em "1%" do material enviado, e prometeu corrigi-lo. "Esclarecemos que todas as informações solicitadas pela CPI foram atendidas nos prazos estabelecidos. Em um dos CDs de dados enviados havia mais de 30.000 lançamentos e destes cerca de apenas 1% não apresentou a origem/beneficiário nos primeiros trabalhos efetuados. Conforme já transmitido à própria CPMI, o banco continua apurando esse 1% de informações faltantes e tão logo concluído o levantamento, posicionará a CPI."

Investigações da CPI mostram que a Visanet integrou um esquema que desviou quase 10 milhões de reais do Banco do Brasil para o empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do mensalão, e o PT. Já o publicitário Duda Mendonça, dono da Duda Mendonça Associados, assumiu manter um caixa dois de 10,5 milhões de reais no exterior. A operadora Telemig Celular contratou os serviços de Marcos Valério. E a empresa Skymaster Airlines é acusada de irregularidades em contrato com os Correios.

Em nota enviada à imprensa, a Skymaster condena a incoerência da somatória que é creditada pelo Banco Real como movimentação da empresa e de um de seus sócios, João Marcos Pozzetti. A empresa considera os números "estapafúrdios e errados" e protesta contra o fato destas informações serem utilizadas pelos parlamentares de forma aleatória.

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