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Biografia
Nelson Cavaquinho completaria cem anos no dia 29 de outubro. O cantor e compositor carioca, morto em 1986, foi um dos melhores cronistas da noite carioca. Os personagens de suas composições eram boêmios e/ou às margens da sociedade; suas letras falavam de sofrimento, de ingratidão e da incapacidade de amar, além de uma obsessão pela morte. Estima-se que tenha composto mais de 400 músicas, muitas ao lado de Guilherme de Brito (seu parceiro mais constante), e outras com Cartola e Jair do Cavaquinho. Isso sem falar nas inúmeras vezes que vendeu seus sambas ou cedeu parceria em troca de dinheiro ou por uma hospedagem nas pensões da Lapa, reduto da boemia do Rio de Janeiro.
Há pelo menos duas características marcantes no trabalho de Nelson Cavaquinho. Primeiro, a voz rouca e negroide, perfeita para entoar suas letras repletas de pessimismo e desilusão. Depois, a maneira original com que tocava seu violão. Tocar, aliás, é um termo incorreto. Ele “beliscava” suas cordas com o dedo indicador e o polegar, o que produzia uma sonoridade única. Foi dessa maneira que Cavaquinho criou clássicos da música brasileira como Quando Eu Me Chamar Saudade, Juízo Final, A Flor e o Espinho (ainda que o verso “tire seu sorriso do caminho/ que eu quero passar com a minha dor” é de autoria de Guilherme de Brito), Juízo Final, Palhaço e muitos outros.
Nelson Antônio da Silva nasceu no dia 29 de outubro de 1911. Sua família era humilde – seu pai tocou na banda da polícia militar e sua mãe era lavadeira. Quando tinha 18 anos, foi trabalhar na ronda noturna da polícia. O emprego o aproximou da malandragem: numa de suas rondas, conheceu o morro da Mangueira e passou a frequentar as rodas de samba ao lado de Cartola, Carlos Cachaça e outros compositores da escola de samba. Quando finalmente saiu da polícia, Cavaquinho passou a vender sambas para sobreviver. O reconhecimento, no entanto, só foi obtido na década de 1960. Foi descoberto pelos bossanovistas (Nara Leão, por exemplo, gravou Luz Negra) e por intérpretes como Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro, Elis Regina e Beth Carvalho. Seu primeiro disco, Depoimento do Poeta, foi lançado em 1970.
Para lembrar o centenário de Nelson Cavaquinho, foi pedido a cada convidado do VEJA Música para que cantasse uma música do compositor. Tulipa Ruiz interpretou Pode Sorrir e Dani Black cantou Quando Eu Me Chamar Saudade. E Luciana Alves e o Trio Corrente, cujos programas devem ser exibidos nos próximos meses, fizeram Palhaço e Juízo Final.
Expediente
Reportagem: Sérgio Martins Produção-executiva VEJA Música: Raquel Hoshino Edição de imagens: Thiago Patah Mixagem de áudio: Miguel Lopez Direção de vídeo: Maísa Zakzuk Direção geral: Raquel Hoshino Gravado em HDV, em várias sessões, no estúdio YB




































