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Vinte mortos nas cidades sírias visitadas pelos observadores

Milhares de opositores se manifestaram nesta sexta-feira nas cidades sírias onde se encontravam os observadores da Liga Árabe, o que não impediu que as forças de segurança agissem com mão de ferro, matando ao menos 20 pessoas.

Os observadores da Liga Árabe visitaram Idleb (nordeste), Hama (norte), Homs (centro) e Deraa (sul), explicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que acrescentou que ao menos 20 civis morreram e mais de 40 ficaram feridos pela atuação das forças de segurança.

Em Deraa, centro do movimento de protesto, cinco manifestantes faleceram quando as forças de segurança dispararam contra uma marcha, enquanto em Hama ao menos cinco civis morreram e cerca de 20 ficaram feridos.

Em Homs, onde ocorreram enormes manifestações, atacadas pelo exército, foram encontrados os corpos de cinco pessoas que foram detidas na noite de quinta-feira pelas forças de segurança, enquanto um sexto civil, ferido na manhã desta sexta-feira, faleceu pela gravidade de seus ferimentos.

Na região de Homs, dois civis e dois soldados dissidentes morreram em uma emboscada do exército perto da cidade de Tal Kalaj, junto à fronteira libanesa, segundo o OSDH.

As forças de segurança também abriram fogo contra manifestantes em Damasco, onde realizaram detenções quando os fiéis saíam das mesquitas.

Segundo o OSDH, mais de 250 mil opositores se reuniram em dezenas de localidades da província de Idleb, sobretudo na cidade de Idleb, Marat al Noman, Jan Sheijún e Saraqeb.

Nestas duas últimas cidades, o exército retirou os tanques diante da visita prevista dos observadores da Liga Árabe, assegurou o OSDH, cuja base está no Reino Unido.

Na cidade de Idleb, ao menos 25 pessoas ficaram feridas quando as forças de segurança dispararam para impedir que os manifestantes entrassem na praça Hanano, quando a missão árabe já havia abandonado a zona, assegurou a fonte.

Em Duma, junto à capital, onde estavam os observadores, mais de 60 mil pessoas protestaram, acrescentou a organização, que assegurou que as forças de segurança utilizaram bombas com pregos e de gás lacrimogêneo para dissipar os manifestantes, ferindo ao menos 24 pessoas.

Em Alep (norte), cidade pouco afetada pelo movimento de protesto, partidários do regime “reprimiram com violência” uma manifestação no bairro de Salahedín, disse a mesma fonte.

Na quinta-feira, as forças de segurança mataram ao menos 25 pessoas, enquanto os observadores estavam em Hama, Idleb, Homs, Deraa e Duma.

“Queremos pedir a distinção entre assassino e vítima. Nossa revolução, que começou há nove meses, é pacífica”, disseram aos observadores os opositores em sua página do Facebook, Syrian Revolution 2011.

Desde a chegada na segunda-feira da missão da Liga Árabe, “130 civis, entre eles seis crianças, morreram”, lamentaram os Comitês Locais de Coordenação (LCC) da revolta, enquanto a ONU contabiliza em 5 mil os falecidos desde o início da repressão, em março.

Apesar de duvidar da eficácia da missão, os opositores sírios consideram que a presença dos especialistas “oferece de alguma forma uma proteção” dos manifestantes.

Os Estados Unidos disseram nesta sexta-feira que a presença dos observadores na Síria é útil, apesar da “violência perdurar”, enquanto a França acredita que ainda é cedo para se pronunciar sobre os resultados da missão.

A Rússia, aliada da Síria, mostrou-se “satisfeita” pelo início da missão, que recebeu a aprovação da China.

A missão de especialistas forma parte de um plano árabe aceito pela Síria para conseguir o final da repressão nas cidades e distritos opositores ao regime, a libertação dos detidos e a livre circulação no país de observadores e dos meios de comunicação.