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Um militar do antigo regime na corrida presidencial

Heba Helmy.

Cairo, 18 mai (EFE).- O general reformado Ahmed Shafiq, um ex-piloto de combate que foi o último primeiro-ministro de Hosni Mubarak, quer se transformar no próximo presidente do Egito atraindo os votos dos nostálgicos do antigo regime.

Sua condição de ex-chefe de governo e ex-ministro de Aviação Civil do deposto Mubarak faz com que Shafiq, nascido em 1941, seja tachado de ‘fulul’ (remanescente do antigo regime).

Seus detratores, muitos deles jovens revolucionários, pensam que Shafiq conta com o apoio de membros do dissolvido Partido Nacional Democrático de Mubarak para o financiamento de sua campanha.

O candidato teve que navegar contra tudo e contra todos para seguir na corrida eleitoral, perante as repetidas tentativas de descartar os ‘fulul’, como a emenda legislativa que impedia os antigos altos cargos da era Mubarak de concorrer no pleito.

No final, Shafiq conseguiu permanecer na corrida rumo à presidência após apresentar um recurso aceito pela Comissão Eleitoral, embora alguns críticos opinem que, se vencer, pode haver uma explosão de violência por parte dos revolucionários.

‘O medo não tem lugar em meu coração’ assegura perante estes argumentos Shafiq, que se descreve como ‘o homem das ações e não das palavras’.

Embora seja um homem de aparência tranquila, em algumas ocasiões perde os nervos, como quando em um programa de televisão do qual participou quando ainda era primeiro-ministro brigou com o famoso escritor Alaa al Aswany, que o acusou de não representar os egípcios.

Um dia depois dessa acalorada discussão, Shafiq apresentou sua renúncia da chefia do governo no dia 3 de março de 2011, pela pressão de uma sociedade que não queria a permanência de um primeiro-ministro designado por Mubarak.

Os revolucionários o apelidaram ironicamente de ‘o homem do suéter azul’, porque aparecia com essa peça de roupa nos cartazes pendurados nas ruas no início da campanha eleitoral, embora mais tarde o tenha trocado por um austero terno preto.

Em seu programa, defende um ‘Egito para Todos’ e entre suas prioridades estão a justiça social e restabelecer a segurança do país, que confia em recuperar em 24 horas, se for eleito presidente.

Para o ex-ministro de Aviação Civil, um cargo que ocupou entre 2002 e 31 de janeiro de 2011, quando foi designado primeiro-ministro, a boa administração e o planejamento são essenciais para o Estado.

A Shafiq é atribuída a modernização dos aeroportos egípcios e a reestruturação da linha aérea nacional, Egyptair.

No entanto, o ex-primeiro-ministro não demonstrou sua suposta capacidade como administrador durante sua curta chefia de governo entre janeiro e março de 2011, em um momento no qual o país, no meio de uma revolução, vivia um clima de instabilidade total e os protestos eram diários.

Nascido no seio de uma família acomodada no bairro de classe alta de Heliopolis, no Cairo, Shafiq se formou na Academia Aérea em 1961.

Conta com uma ampla experiência militar, já que como piloto de combate serviu em várias disputas bélicas, entre elas a Guerra do Yom Kippur contra Israel, em 1973.

Posteriormente, entre 1984 e 1986, foi adido militar da embaixada do Egito em Roma e, entre 1991 e 1996, foi chefe de operações da Aeronáutica. Sua carreira militar culminou com sua nomeação como comandante-chefe da Força Aérea em abril de 1996.

Além dos nostálgicos de Mubarak, Shafiq desperta simpatia entre a minoria cristã, que representa 10% dos 85 milhões de egípcios, por seu discurso moderado no qual defende os direitos de todos os cidadãos e o temor ao avanço dos islamitas.

Frente aos candidatos de corte islâmica, seu principal rival é o ex-secretário geral da Liga Árabe, Amr Moussa, ex-ministro de Exteriores de Mubarak e grande favorito nas pesquisas, a quem Shafiq, como militar, espera derrotar apresentando suas credenciais como homem forte capaz de restaurar a estabilidade no país. EFE