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UE diz que Reino Unido deve pagar ao menos 60 bilhões de euros

O bloco europeu exige que os britânicos paguem suas obrigações financeiras para dar início ao Brexit

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, afirmou que o Reino Unido deve pagar pelo menos 60 bilhões de euros (230 bilhões de reais) para cumprir suas obrigações financeiras ao deixar a União Europeia. A lei sobre a separação tem enfrentado um impasse entre as partes, enquanto o governo de Londres prepara o desembarque do bloco, previsto para março de 2019.

A UE exige que o Reino Unido pague suas obrigações financeiras para o chamado Brexit. Questionado em entrevista ao jornal alemão Funke publicada nesta segunda-feira, Tajani disse: “Na minha opinião, isso deveria ser de pelo menos 60 bilhões de euros.” Tajani acrescentou que, caso a UE aceite menos, os cidadãos europeus terão de completar a diferença. “Mas por que alemães, italianos, espanhóis ou holandeses pagariam a conta dos britânicos?”, questionou.

May sob pressão

A primeira-ministra Theresa May está sob pressão de ambos os lados do debate sobre o Brexit, enquanto tenta formular uma base para o plano do governo para saída da União Europeia por meio do Parlamento.

A Proposta de Saída da União Europeia retorna nesta semana à Câmara dos Comuns, onde enfrentará uma enxurrada de emendas de legisladores. O projeto de lei destina-se a evitar um vazio jurídico, convertendo cerca de 12.000 leis da UE em estatuto britânico no dia em que o Reino Unido deixar o bloco em 2019. Legisladores devem realizar vários dias de debate, e a votação começa na terça-feira.

Muitos legisladores afirmam que o projeto de lei dá ao governo muito poder para alterar a legislação sem o escrutínio parlamentar. Eles tentarão aprovar alterações para reduzir esses poderes. E aqueles contrários à saída do bloco – tanto da oposição quanto do Partido Conservador de May – tentarão conferir ao Parlamento o poder de decisão sobre o acordo final de separação entre o Reino Unido e a UE.

Enquanto isso, apoiadores do Brexit pressionam May para não ceder junto à UE ou aos legisladores anti-Brexit. O secretário de Relações Exteriores, Boris Johnson, e o secretário do Meio Ambiente, Michael Gove, importantes líderes eurocéticos dentro do gabinete de May, advertiram a primeira-ministra em uma nota para se manter firme na ambição de fazer do Reino Unido “um país autônomo totalmente independente no momento da próxima eleição”, em 2022, informou o jornal Mail on Sunday. A nota publicada pelo jornal acusa alguns ministros de não se prepararem para o Brexit com “energia suficiente”.

May, enfraquecida pelo baixo comparecimento dos conservadores em uma eleição em junho, tem pouca margem de manobra. Ela depende de um pequeno partido da Irlanda do Norte para sustentar seu governo minoritário e está no meio de uma disputa entre facções em conflito dentro de seu gabinete. Ela também tem que lidar com escândalos de assédio sexual envolvendo um número crescente de políticos e a renúncia de dois ministros do gabinete até agora neste mês.

As negociações do governo com a UE perderam força pela falta de acordo sobre os termos da saída do Reino Unido, incluindo  quanto o país deve pagar para cumprir seus compromissos financeiros com o bloco.