Souhampton lembra vítimas de naufrágio do Titanic cem anos após tragédia

Ramón Abarca.

Southampton (R.Unido), 10 abr (EFE).- Com uma mistura de orgulho e dor, Southampton, a cidade do sul da Inglaterra da qual zarpou há cem anos o Titanic, lembrou nesta terça-feira o início da fatídica viagem e os 500 de seus moradores que morreram no naufrágio.

Um emotiva cerimônia à qual 600 crianças levaram cartazes com as fotos e os nomes das vítimas, assim como a abertura de um novo museu, serviram hoje para relembrar o início da tragédia marítima mais famosa da história.

O acidente do luxuoso transatlântico, que afundou cinco dias após partir, causando a morte de mais de 1.500 pessoas, marcou de maneira especial esta cidade.

No dia 10 de abril de 1912, Southampton, então o maior porto da Inglaterra, viveu com expectativa a partida do Titanic, com direito à apresentação de uma banda de música e a presença de centenas de pessoas.

Cem anos depois, no mesmo lugar e na mesma hora que o Titanic tinha sua saída programada, ao meio-dia, um minuto de silêncio lembrou solenemente o momento.

Meia hora depois, um desfile de crianças, acompanhadas de uma banda de música, percorreu as ruas da cidade, em meio a aplausos dos curiosos.

Nick, um fã de história marítima, viajou de carro da região central da Inglaterra até Southampton junto com sua mulher. Ele contou à Agência Efe que seu pai cruzou o Atlântico duas semanas antes do Titanic zarpar.

‘Não acho que seja preciso fazer grandes eventos sobre um acidente como este. É o momento de lembrar os erros que continuam a se repetir, como no caso do ‘Costa Concordia’, afirmou, enquanto revelava, entusiasmado, tinha viajado recentemente aos Estados Unidos para visitar o local onde foi rodado o filme ‘Titanic’.

Uma octogenária presenciava emocionada o desfile de crianças com os cartazes nos quais havia fotos e nomes e profissões das vítimas da tragédia.

‘Evidentemente eu não tinha nascido quando o naufrágio aconteceu, mas foi algo muito duro para a cidade, e preferimos guardar nossos sentimentos para nós mesmos’, explicou.

Southampton era em 1912 a sede de 23 companhias de transatlânticos e, graças a isso, vivia um momento de esplendor econômico, com a abertura de restaurantes, hotéis, lojas e muitas oportunidades de trabalho.

Dos 897 membros da tripulação do luxuoso navio, 714 eram moradores de Southampton e, dos 685 que morreram após a embarcação se chocar contra um iceberg, 538 residiam na cidade.

Um vínculo que serviu hoje também para a inauguração do museu SeaCity, que tem como objetivo relatar ‘a história não contada dos muitos habitantes de Southampton que morreram e o impacto que a tragédia teve em centenas de famílias da cidade’.

‘Queríamos contar a relação entre Southampton e o Titanic, contar sobretudo a história de sua tripulação, já que nunca antes foi contada’, disse hoje à Efe Maria Newbery, curadora da exposição.

Newbery também afirmou que o naufrágio ‘afetou praticamente todos na cidade; quem não tinha um vizinho, tinha um parente ou um amigo entre as vítimas’.

Em Southampton, segundo a especialista, até cinco décadas após o acidente não se falava sobre ele, ‘pelo sentimento de culpa dos que sobreviveram’.

O museu, que custou 15 milhões de libras (R$ 43,6 milhões), relata, através da vida de alguns dos membros da tripulação, a importância que o naufrágio teve para a cidade, que conta com o maior número de monumentos dedicados ao Titanic.

Em suas salas, através de fotografias, vídeos e sons é mostrada como era a vida desta população portuária há um século e o variado ambiente do transatlântico, no qual viajavam com destino a Nova York alguns dos homens mais ricos do mundo junto com imigrantes de toda a Europa. EFE