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Sarkozy e Hollande intensificam caça aos votos da extrema-direita

O candidato favorito à presidência francesa, o socialista François Hollande, e o atual presidente Nicolas Sarkozy intensificaram abertamente a caça aos 6,4 milhões de eleitores da extrema-direita que poderão decidir o segundo turno das presidenciais francesas.

A estratégia é diferente, mas, para os dois finalistas, o objetivo é claro: recuperar o máximo de votos destes jovens, sem formação, operários, empregados rurais, todos preocupados com as perdas sociais e a globalização, e que votaram massivamente na candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen (cerca de 18% dos votos).

“Minha vez de convencer os eleitores da Frente Nacional”, afirmou nesta terça-feira ao jornal Libération François Hollande, que está bem posicionado com seus 28,6% para o segundo turno, em 6 de maio, mas não completamente convicto da vitória.

Para o candidato socialista, o desafio é recuperar os decepcionados com a esquerda que se refugiaram na FN pelo desespero social, e não por adesão às teorias extremistas. “É minha responsabilidade falar imediatamente aos eleitores que não necessariamente aderem às idéias da FN – a obsessão com a imigração, em particular – mas que expressam, antes de tudo, uma raiva social”, explicou.

Para tanto, visitou nesta terça-feira o departamento rural de Aisne, no norte da França, onde Le Pen ficou em segundo lugar no primeiro turno. “Para estas categorias que sofrem, os trabalhadores, os empregados, aposentados, aqueles que estão preocupados, (…) os jovens, quero dizer para todos vocês que tudo o que eu decidir será justo e o que esperam ter”, disse.

Cauteloso para não correr o risco de ser acusado de vencer graças à extrema-direita ou por ter feito concessões, o Partido Socialista insiste na vontade de recuperar “apenas” esta parte dos eleitores de Marine Le Pen, e não “a grande maioria, que é xenófoba”, nas palavras do porta-voz do partido, Benoît Hamon.

François Hollande também confirmou sua intenção de conceder o direito de voto aos estrangeiros nas eleições locais, uma medida amplamente criticada pela direita.

Para Nicolas Sarkozy (27,2%), que não conseguiu chegar à frente no primeiro turno, o desafio é atrair os “pequenos” e os “sem-classe”, que em 2007 ajudaram a elegê-lo, antes de regressarem ao seio da FN, porque, segundo ele, devemos fazer mais para lutar pela segurança e contra a imigração.

Devemos “adotar compromissos suficientemente precisos para que os eleitores (da Frente Nacional) saibam que compreendemos a sua mensagem”, ressaltou durante um comício em Longjumeau (perto de Paris).

Ao fazer referência aos seus temas preferidos, lembrou que não quer uma França de “excisão”, de “confinamento das mulheres por trás da prisão de tecido”, de uma “imigração descontrolada” ou do “voto comunitário”.

Diferentemente da esquerda que, segundo ele, “tampa o nariz” ao falar do eleitorado de Le Pen, ele não tem a intenção de fazer distinções entre bons e maus eleitores da FN. “Esta votação não é errada”, repetiu.

No entanto, suas posições diretas preocupam algumas personalidades de seu próprio grupo, que têm os olhos voltados para as eleições legislativas de junho, onde, em muitas circunscrições, os candidatos da extrema-direita podem estar em uma posição de decisão.

“Eu não acho que a resposta esteja no deslocamento de nossas próprias ideias para a direita”, disse o ex-ministro Chantal Jouanno, afirmando que, nesse caso, votaria no socialista.

Quanto à Marine Le Pen, ela parece visivelmente satisfeita, os dois finalistas lutam para conquistar seus eleitores com “a mesma linha”.

Ela não deverá dar instruções de voto. Mas a presidente da Frente Nacional, que quer provocar a “implosão” da direita tradicional nas legislativas para assumir a liderança de futura oposição, já designou Nicolas Sarkozy como o candidato que deve perder.

“Como ser insultado em um dia e lhe dar um voto no seguinte”, ironizou na rádio France Inter o vice-presidente Louis Aliot, citando funcionários da UMP, o partido no poder.