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Reino Unido e UE se desentendem sobre próximos passos para Brexit

A fragilidade da premiê Theresa May diante do seu próprio governo também prejudica as negociações

O Reino Unido e seus parceiros da União Europeia entraram em choque nesta segunda-feira sobre qual lado deve dar o próximo passo para destravar as negociações da saída britânica do bloco. As equipes se reúnem hoje em Bruxelas para o primeiro dia da quinta rodada de conversas sobre o Brexit.

Esta etapa é a última prevista antes da reunião do Conselho Europeu no final de outubro. No calendário ideal das negociações, a cúpula marcaria o início de uma fase crucial, com a perspectiva de os líderes europeus aceitarem a abertura de negociações sobre as relações comerciais com Londres após o Brexit.

“A bola está no campo deles”, afirmou nesta segunda-feira à tarde a primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre o andamento das conversas. “Mas estou otimista sobre uma resposta positiva”, acrescentou, pedindo aos europeus que sejam “flexíveis” para lançar a segunda fase das negociações, exigida com impaciência pelos britânicos.

“Não é exatamente um jogo de bola”, respondeu imediatamente depois a porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, que acrescentou, no entanto, que “a bola está totalmente no campo do Reino Unido”.

“Existe uma sequência clara para estas conversas, e até agora não se encontrou solução para o primeiro passo, que são os procedimentos de divórcio”, disse Schinas.

Pessimismo

Antes de aceitarem discutir um futuro relacionamento, os líderes dos 27 países que permanecem na UE exigem avanços em três questões prioritárias relacionadas à separação: a resolução financeira do divórcio; o destino dos expatriados; e as consequências do Brexit para a Irlanda.

Muitos dos envolvidos nas negociações, contudo, veem poucas chances de avanço nesses temas por enquanto. “Ainda não conseguimos um progresso suficiente nesses três assuntos para começar com confiança a segunda fase das negociações”, advertiu o negociador-chefe da UE, Michel Barnier, ao Parlamento Europeu em 3 de outubro.

“Até o fim de outubro, não teremos feito progressos suficientes (…) exceto em caso de milagre”, ressaltou, por sua vez, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em uma cúpula informal em Tallinn, no fiml de setembro, depositando poucas esperanças nessa quinta rodada.

Fragilidade do governo britânico

Os europeus têm se mostrado mais pessimistas, porque se preocupam com as consequências da fragilidade de Theresa May para as negociações, ilustrada por seu desastroso discurso na última quarta-feira na conferência anual de seu Partido Conservador.

Em plena crise de liderança, a líder conservadora foi interrompida por um acesso de tosse e por um humorista que lhe entregou um formulário de demissão “da parte de Boris Johnson“, o ministro das Relações Exteriores que desafia sua autoridade, defendendo um Brexit “mais duro”.

A fragilidade da premiê abriu a porta para muitos de seus próprios correligionários questionarem sua estratégia para o divórcio apenas dezoito meses após a decisão britânica de sair da UE. May é confrontada por um grupo de deputados de seu próprio partido, que tentam retirá-la do cargo sob justificativa de que carece da autoridade necessária após ter perdido a maioria absoluta do Parlamento nas eleições antecipadas de 8 de junho. Os cerca de trinta parlamentares são liderados por Grant Shapps, ex-presidente honorário do Partido Conservador.

Ministros do governo britânico, contudo, saíram em defesa de May e afirmaram que a maioria dos membros de seu gabinete a apoia. “Foi uma excelente primeira-ministra e espero que ela continue no cargo por muitos anos”, afirmou o ministro de Meio Ambiente, Michael Gove, à emissora BBC.

(Com agências internacionais)