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Rebeldes xiitas anunciam tomada do poder no Iêmen

Duas semanas depois de forçar renúncia do presidente, houthis dissolveram o Parlamento e anunciaram a criação de um comitê para governar o país

Rebeldes xiitas houthis proclamaram nesta sexta-feira a tomada oficial do poder no Iêmen, duas semanas depois de forçar o presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi e seu gabinete a renunciarem.

Em um pronunciamento transmitido pela rede de TV dos rebeldes a partir do palácio presidencial, tomado desde o dia 20 de janeiro, o grupo anunciou dissolução do Parlamento e a criação de um conselho revolucionário formado por cinco membros para comandar o país interinamente.

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Os xiitas também prometeram que um Conselho Nacional de 551 substituirá o Parlamento e que esse colegiado deverá apontar o comitê que vai cuidar da eleição de um novo presidente. Segundo a milícia, a transição no país deverá durar dois anos, período durante o qual também deverá ser redigida uma nova Constituição, a ser submetida a referendo.

A tomada de poder ameaça aprofundar o caos no país que é tido como importante aliado dos Estados Unidos na luta contra a Al Qaeda – o braço mais atuante da rede terrorista fica no Iêmen. A relação com a vizinha Arábia Saudita também deve piorar, como aponta o New York Times. O país já cortou boa parte da ajuda ao Iêmen devido ao aumento do poder dos houthis, que seriam financiados pelo Irã.

Celebração e rejeição – A “declaração constitucional” foi lida em uma cerimônia na presença de representantes tribais e militares, e também dos ministros da Defesa e do Interior do governo anterior. Também estiveram presentes figuras políticas próximas ao presidente deposto Ali Abdullah Saleh, que agora se apresenta como um aliado dos huthis.

Os rebeldes comemoraram o anúncio nas ruas da capital Sanaa, tomada desde setembro. Mas um grupo de jovens ativistas que participaram da revolta de 2011 contra Saleh rejeitou o que chamou de “hegemonia das milícias houthis” no país. Representantes das tribos de Marib, uma província rica em hidrocarbonetos, também expressaram sua rejeição ao novo poder. “Rejeitamos os autores do golpe de Estado em Sanaa”, declarou à agência France-Presse o xeque Saleh al-Anjaf.

Mohammed al-Sabri, político que dirige uma aliança de partidos opositores, disse à agência Associated Press que os houthis serão incapazes de governar o país e apenas aumentarão o isolamento internacional do Iêmen. “Eles são uma milícia, não um grupo político”.

O norte do Iêmen é a fortaleza dos grupos xiitas, que avançaram depois de tomar o controle de vários prédios do governo na capital e estenderam sua influência para o centro do país, confrontando tribos sunitas locais e combatentes da Al Qaeda.

(Com agência Reuters e Estadão Conteúdo)