Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Putin, sobre a Ucrânia: ‘Uso da força não está descartado’

Presidente russo concedeu coletiva sobre a situação no país vizinho nesta terça. Afirmou que governo interino do país é resultado de um golpe

No dia em que ordenou o retorno aos quartéis de 150.000 soldados que haviam sido deslocados na quarta-feira passada para exercícios militares perto da fronteira ucraniana, o presidente russo Vladimir Putin concedeu uma entrevista coletiva em Moscou. E afirmou que o governo interino da Ucrânia é resultado de um golpe. O chefe do Kremlin voltou a dizer que o presidente deposto Viktor Yanukovich é o líder legítimo da nação. Disse ainda que, por ora, não há necessidade de enviar tropas para a Ucrânia – mas não excluiu a possibilidade de fazê-lo. O presidente russo afirmou que se reserva o direito de utilizar quaisquer recursos para proteger os cidadãos ucranianos. Segundo ele, o uso da força não está descartado como “último recurso”.

Leia também:

Rússia diz que só sai da Crimeia após “normalização da situação política”

Ações recuam na Europa em meio a tensões na Ucrânia

Comandante da Marinha da Ucrânia passa para o lado russo

Operação militar russa é “declaração de guerra”, diz premiê da Ucrânia

“No que se refere ao envio de tropas, isso não é necessário no momento, mas a possibilidade existe”, afirmou. Putin aproveitou a entrevista concedida nesta terça-feira para fazer duras críticas ao presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov. Segundo ele, a ação dos militantes mergulhou o país no caos. Afirmou, ainda, que o Parlamento ucraniano é “parte legítimo”, mas aquele que age como presidente do país não é.

Em defesa de Yanukovich, acusado de comandar o banho de sangue na capital Kiev, Putin afirmou que não partiu do ex-presidente a ordem para atirar contra os manifestantes. Yanukovich deixou Kiev quando a tensão na capital atingiu o ponto mais alto em três meses de protestos contra seu governo, com cerca de 100 mortos em confrontos entre manifestantes e policiais.

Caio Blinder: Putin não tem bala para invadir vizinho

Em novembro, Yanukovich abriu mão de um acordo de livre-comércio com a União Europeia e optou por se aproximar do Kremlin, recebendo apoio financeiro dos cofres da Rússia. Para os ucranianos, ao dar as costas para o bloco europeu, ele desperdiçou a oportunidade de tornar a Ucrânia uma nação de fato independente, transparente e democrática.

Mapa da Crimeia

Mapa da Crimeia (VEJA)

Um dia depois da assinatura do acordo, no entanto, Yanukovich fugiu do país e o Parlamento o destituiu. Na sequência, um mandado de prisão foi emitido contra o ex-presidente, que passou a ser considerado foragido. Um governo interino foi formado pelas lideranças políticas dos protestos. Mas a situação está longe da estabilidade, com a região autônoma da Crimeia – por onde Yanukovich passou antes de ir para Rostov – transformando-se no principal palco de disputa em um país dividido entre a população pró-Europa e pró-Rússia.

Saiba mais:

​Por que UE e Rússia querem tanto a Ucrânia?

Ucrânia, um país com um histórico de tragédias

Sobre o envio de tropas para a Crimeia, Putin afirmou que a Ucrânia é um vizinho fraterno da Rússia – e que as tropas de lá têm muito em comum. Ele também disse que as forças russas não dispararam um tiro desde que cruzaram a fronteira para Crimeia.