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Protestos contra Mursi já deixaram 16 mortos no Egito

Oposição dá ultimato para presidente renunciar e promete desobediência civil

Os protestos no Egito, que exigem a renúncia do presidente Mohamed Mursi, deixaram dezesseis mortos entre domingo e segunda-feira, informaram a CNN e a BBC. Entre as vítimas, pelo menos nove morreram em confrontos entre islamitas e opositores na sede da Irmandade Muçulmana, no Cairo. No total, 716 pessoas ficaram feridas.

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Centenas de milhares de egípcios participaram das manifestações neste domingo, data que marcou um ano da posse de Mursi no governo. Com bandeiras do Egito, a multidão ocupou a Praça Tahrir e bradava pela saída de Mursi, na maior manifestação desde a revolta que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 2011.

O ataque à sede da Irmandade – grupo fundamentalista ao qual pertence o presidente egípcio, Mohamed Mursi – começou no domingo à noite, com o lançamento de coquetéis molotov e pedras pelos manifestantes, enquanto de dentro do prédio tiros eram disparados contra os agressores. Entre os feridos, muitos em estado grave, há pelo menos um oficial da polícia egípcia, que foi baleado.

Depois de tomar o controle do edifício, situado no bairro de Muqatam, na periferia do Cairo, os manifestantes queimaram todos os andares do prédio. Os escritórios foram saqueados e o grupo roubou equipamentos eletrônicos, móveis e documentos. Em entrevista à agência oficial Mena, um porta-voz da Irmandade acusou os agressores de terem explodido pelo menos dois bujões de gás na entrada do edifício e disparado contra a sede, o que teria deixado feridos.

Novos protestos – Enquanto isso, nesta segunda-feira, centenas de pessoas continuam protestando contra Mursi após terem pernoitado em tendas de campanha na praça Tahrir e junto ao palácio presidencial de Itihadiya. A oposição deu um prazo até terça-feira para que o presidente renuncie. Caso contrário, o movimento opositor Tamarod, que liderou as grandes manifestações de domingo, anunciou que iniciará um protesto de “desobediência civil”.

“Damos a Mohamed Mursi prazo até terça-feira, 2 de julho, às 17h (12h de Brasília) para deixar o poder e permitir às instituições estatais preparar uma eleição presidencial antecipada”, afirma um comunicado do Tamarod. “Se Mursi não renunciar, na terça-feira às 17h terá início uma campanha de desobediência civil total”, completa a nota.

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Sem diálogo – O Tamarod pede ainda às Forças Armadas, à polícia e ao sistema judicial uma “posição clara ao lado da vontade popular representada pelas gigantescas manifestações de domingo”. O movimento rejeitou o pedido de diálogo feito no domingo por Mursi. “É impossível aceitar medidas insuficientes. A única alternativa é o fim pacífico do poder da Irmandade Muçulmana e de seu representante Mohamed Mursi”, afirma o comunicado do Tamarod.

O Tamarod, apoiado por várias personalidades e movimentos da oposição laica, liberal e de esquerda, afirma ter reunido 22 milhões de assinaturas para uma petição por eleições presidenciais antecipadas, uma quantidade muito superior aos 13,23 milhões de votos recebidos por Mursi nas eleições de junho de 2012.

(Com agências EFE e France-Presse)