Promotoria afirma que vigilante matou jovem negro “porque quis”

Julgamento de George Zimmerman, acusado de assassinar o adolescente Trayvon Martin, de 17 anos, teve início nesta segunda-feira, na Flórida

Quase um ano e quatro meses depois do assassinato do adolescente negro Trayvon Martin, o julgamento do vigilante comunitário George Zimmerman, de 29 anos, teve início nesta segunda-feira no estado americano da Flórida. O estudante de 17 anos foi morto no dia 26 de fevereiro do ano passado, na cidade de Sanford. Ele não tinha passagem pela polícia. Naquele dia, Zimmerman patrulhava as ruas do condomínio fechado onde mora quando desconfiou de um rapaz caminhando na chuva com o rosto escondido sob o capuz de um abrigo de moletom. Ligou para a polícia e recebeu a orientação de não perseguir o “suspeito”, mas não obedeceu, seguiu o rapaz até abordá-lo. Martin reagiu à abordagem e acabou atingido por um tiro. O vigilante alegou legítima defesa.

Nesta segunda, a promotoria alegou que Zimmerman não atirou no jovem porque foi necessário, mas porque quis. O promotor John Guy reproduziu um trecho do telefonema de Zimmerman à polícia no qual ele diz: “Punks. Eles sempre escapam”. O promotor ressaltou que o vigilante usou palavras de ódio para descrever um “total estranho”.

A defesa continuou com a tese de que o jovem atacou primeiro. “Não há monstros aqui”, disse o advogado Don West. Ele afirmou que Trayvon Martin usou uma pedra do pavimento para atingir a cabeça do vigilante. A promotoria rebateu que nenhum material genético do jovem foi encontrado no corpo de Zimmerman ou vice-versa. Nenhum dos dois lados contestou a tese de que o vigia atingiu o jovem no peito com uma pisto 9 milímetros nem que a vítima morreu no local, informou a rede britânica BBC.

O júri do caso é formado por cinco mulheres. A expectativa é que o julgamento dure de duas a quatro semanas. Os pais de Martin acompanharam o primeiro dia de julgamento, mas a mãe do adolescente, Sybrina Fulton, deixou o tribunal no momento em que a gravação da chamada de Zimmerman para a polícia foi reproduzida.

O assassinato de Martin provocou intensos debates sobre a questão racial e também sobre o controle de armas nos Estados Unidos. A polícia demorou 44 dias para prender Zimmerman depois do crime, em parte porque o vigia voluntário invocou uma lei estadual que permite o uso de força letal se uma pessoa sente que está correndo risco de morte. O caso também foi usado politicamente. À época, o presidente Barack Obama disse que, se tivesse um filho, ele se pareceria com Martin. Republicanos criticaram sua declaração, feita o momento em que a disputa pela presidência já estava em andamento.

Para provar que houve um assassinato em segundo grau – acusação que a defesa nega – a promotoria precisa mostrar que o vigilante agiu motivado pelo ódio e mostrou “indiferença à vida humana”. Se for considerado culpado, Zimmerman pode ser condenado à prisão perpétua.

(Com agência Reuters)