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Premiê do Haiti prevê período de estabilidade e oportunidades no país

Jesús Sanchis.

Porto Príncipe, 11 mai (EFE).- O primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, previu nesta sexta-feira um período de estabilidade política que apresentará novas oportunidades com o esforço de todo o país e com a solidariedade internacional que, em sua opinião, não deve ser interrompida.

‘O Haiti precisa voar com suas próprias asas, mas agora não estamos prontos, precisamos da ajuda dos amigos do Haiti’, disse em entrevista à Agência Efe o novo primeiro-ministro, que nesta sexta-feira pretendia submeter seu programa político à Câmara dos Deputados, para completar assim a última fase de seu processo de ratificação.

Entre as primeiras medidas que adotará assim que tomar posse, está uma ‘operação maciça de limpeza’ de Porto Príncipe, onde atualmente só se elimina 40% do lixo, um plano que incidirá, segundo ele, ‘sobretudo nos bairros pobres para que o povo possa viver em condições dignas’.

Um amplo plano de manutenção de estradas que gerará entre 12 mil e 15 mil empregos, a criação de um sistema de seguridade social e a implantação de um programa assistencialista que oferecerá US$ 20 por mês e microcréditos a mães em situação de pobreza extrema figuram também entre as primeiras ações do governo.

O premiê anunciou as eleições parciais ao Senado para novembro de 2012. O pleito, que ainda está pendente, custará entre US$ 30 milhões e US$ 35 milhões, o que, em sua opinião, permitirá avançar na consolidação institucional e na estabilidade política, fundamental para o objetivo de atrair investimentos estrangeiros.

Ele mencionou setores como turismo, onde o país tem grande potencial de desenvolvimento com cerca de 100 quilômetros de praias caribenhas, e indústria, beneficiada pelo acordo com os Estados Unidos para exportar em condições preferenciais.

‘Também é preciso construir 600 quilômetros de estradas, 42 edifícios públicos, 140 centros esportivos e mais de 100 escolas primárias e profissionais’, explicou Laurent Lamothe, que acumula os cargos de primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Haiti.

Nos quatro anos de seu mandato, o governante planeja construir de 10 a 15 desses prédios, concluir a renovação da cidade de Jacmel e, no norte, terminar o parque industrial e o porto de Fort Liberté.

Para combater a pobreza extrema, outra das metas do novo Executivo, ele pretende elevar de 1 milhão para 2 milhões o número de crianças com acesso à educação gratuita – com a construção de 500 escolas – e pôr em circulação 500 ônibus para eliminar os oito quilômetros diários que, em média, milhares de crianças haitianas percorrem para ir à escola.

Além disso, detalhou o governante, está planejada a construção de cinco aeroportos (dois internacionais e três regionais) e de 250 quilômetros de estradas, elevar de 125 a 300 megawatts a geração de eletricidade e aumentar a cobertura deste serviço dos atuais 25% para 80% do território.

Para esses planos, o Estado conta com cerca de US$ 1 bilhão graças ao perdão de dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), com o acordo petrolífero Petrocaribe, auspiciado pela Venezuela, e com uma empresa deste país, o que, somado ao apoio do setor privado, pode impulsionar o desenvolvimento econômico, segundo Lamothe.

Com estes programas, investimentos e recursos, a economia haitiana deve crescer a uma média de 8% – no ano passado, o índice foi de 5,6% e, em 2012, estima-se um aumento de 7% – e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita deve aumentar de US$ 750 para US$ 950, acrescenta o líder haitiano.

Sobre a percepção de que a população tem ante as melhoras conseguidas sob a Presidência de Michel Martelly, o novo primeiro-ministro mencionou uma pesquisa de opinião que indica que 76,9% da população ‘acredita que há progresso’ no país, abalado nos últimos anos pelo grande terremoto de 2010 e por outros desastres naturais.

Como exemplo dos avanços, Lamothe mencionou o realojamento de 51 mil pessoas deslocadas a acampamentos provisórios após o terremoto de 2010 e os programas de proteção social iniciados pelo governo.

Para implementar os planos governamentais, é necessário elevar as receitas do Estado por meio de impostos e das alfândegas, já que atualmente apenas 3% dos haitianos pagam as taxas ao fisco nacional e cerca de US$ 350 milhões são perdidos devido ao contrabando na fronteira com a República Dominicana.

Regularizar essas fontes de recursos permitiria a arrecadação de US$ 425 milhões por ano, indicou Lamothe. ‘Elevando as receitas e com a solidariedade internacional, conseguiremos atingir as metas’, complementou. EFE