Portugueses fazem greve geral contra austeridade

Transporte público ficou paralisado após convocação de sindicatos

O transporte público em Portugal ficou praticamente paralisado nesta quinta-feira devido à convocação de greve geral de um dia feita pelas duas maiores centrais sindicais do país. A greve é um protesto contra as medidas de austeridade que resultaram em desemprego recorde e na pior situação econômica desde os anos 1970.

Os trens não estavam funcionando, serviços de metrô e barcas pararam de operar em Lisboa e muitas linhas de ônibus estavam suspensas, o que forçou aqueles que decidiram ir trabalhar a buscar caminhos alternativos mais longos e com menos ônibus à disposição. A companhia aérea estatal TAP alertou sobre possíveis problemas em voos, mas não cancelou nenhuma partida.

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Os serviços de limpeza e coleta de lixo também aderiram à greve durante a madrugada, segundo fontes sindicais, mas, como é comum em Portugal, nem o governo, nem os organismos afetados divulgaram números sobre a greve. Em vários grandes hospitais e centros de saúde o atendimento é lento ou restrito às urgências, segundo declarações de usuários e informações das emissoras de rádio e TV de Portugal.

Apesar dos problemas de transporte nas maiores cidades portuguesas, havia enormes engarrafamentos nas estradas de acesso às cidades, e o comércio abriu com normalidade em Lisboa, Porto e em outros pontos do país.

Sindicatos – As centrais esperam que a quarta greve geral em dois anos pressione o governo a tomar medidas de incentivo ao crescimento e a relaxar o aperto de cinto que levou aos maiores aumentos de impostos vistos nos últimos anos. “Esperamos uma participação importante dos trabalhadores, que enfraquecerá ainda mais o governo”, disse Armenio Carlos, secretário-geral da Confederação Geral de Trabalhadores de Portugal (CGTP), um dos principais sindicatos do país, ligado ao Partido Comunista e que exige a renúncia do governo e a convocação de eleições legislativas antecipadas. A outra central sindical é a União Geral de Trabalhadores (UGT), vinculada ao Partido Socialista.

A greve desta quinta-feira é a segunda organizada em conjunto pelos sindicatos desde o protesto de 2011, cinco meses depois da chegada ao poder do governo de centro-direita do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Os dirigentes dos dois grandes sindicatos portugueses abriram o dia de protestos com piquetes e comícios em instalações do metrô, dos bombeiros e dos serviços municipais de coleta de lixo da capital.

(Com agências EFE e Reuters)