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Piratas matam 4 americanos que navegavam em iate

Após o caso, ONU pede tribunal específico para julgar casos de pirataria somali

Quatro americanos capturados por piratas somalis a bordo de um iate na sexta-feira passada foram mortos nesta terça, confirmaram fontes do Pentágono. A bordo estavam os donos da embarcação, o casal Jean e Scott Adam, que tinham iniciado uma viagem ao redor do mundo em dezembro de 2004, e seus convidados Phyllis Mackay e Rob Riggle. Pouco após o anúncio das mortes, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs ao o Comitê Político e de Segurança da União Europeia a criação de um tribunal especial para julgar os piratas da Somália.

Segundo o enviado especial da ONU para assuntos legais relacionados à pirataria na Somália, Jack Lang, a nova instância judicial operaria sob jurisdição somali. Teria, contudo, sua sede no exterior devido à instabilidade do país africano – possivelmente na Tanzânia. Lang sugeriu ainda que a missão aeronaval da UE contra a pirataria seja “mantida e renovada”, incluindo vias de ação que permitam aos navios militares “se aproximar mais das costas somalis, recuperar embarcações sequestradas em alto-mar e levar os piratas aos tribunais”. Lang ressaltou que acredita que o Comitê de Segurança da ONU aprovará “nas próximas semanas” uma resolução baseada em suas propostas, um documento “que deve ser claro e firme, e que servirá para abrir uma nova etapa na luta contra a pirataria”.

O sequestro – Os piratas tomaram o controle do iate Quest na sexta-feira passada, a 240 milhas náuticas do litoral do Omã, e se dirigiram para a costa da Somália. À uma hora da madrugada do horário local (3h de Brasília), negociações conduzidas pela Marinha americana estavam em curso para conseguir a libertação dos quatro reféns. Sem sucesso nas conversações, iniciou-se um tiroteio. Quando os militares americanos alcançaram a embarcação em busca dos reféns, descobriram que o grupo tinha sido executado pelos sequestradores.

Apesar das tentativas de reanimá-los, os quatro americanos morreram devido aos ferimentos, indicou a Marinha americana em comunicado. “Expressamos nossas mais profundas condolências pelas vidas inocentes perdidas cruelmente a bordo do Quest”, disse o general James N. Mattis, comandante do Comando Central dos Estados Unidos.

Dois piratas morreram durante o tiroteio e outros 13 foram capturados com vida – estes somaram-se a outros dois piratas que as forças americanas já tinham sob sua custódia. No registro do barco os militares americanos encontraram os corpos de outros dois piratas que, segundo indicaram, tinham morrido anteriormente. No total, acredita-se que 19 homens estavam envolvidos no sequestro.

Como nesse caso, atualmente, os piratas têm sequestradas dezenas de embarcações e mantêm mais de 800 reféns. A pirataria nas águas do Índico custa cerca de US$ 7 bilhões anuais à comunidade internacional, enquanto o custo das medidas propostas pela ONU seria, segundo Lang, de US$ 25 milhões.

(Com Agência EFE)