Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Peritos isolam DNA de 78 mortos na queda do Airbus da Germanwings

Material genético será comparado ao fornecido pelos parentes das vítimas, para que seja possível identificar os restos mortais resgatados até agora

Peritos franceses já conseguiram isolar o DNA de 78 dos 150 mortos na queda do Airbus A320 da Germanwings. Agora, o material genético será comparado ao fornecido pelos parentes das vítimas, o que possibilitará a identificação dos restos mortais resgatados do local da tragédia, informou neste domingo a promotoria de Marselha. O avião caiu nos Alpes franceses na terça-feira da semana passada. A promotoria disse ainda que uma estrada que dá acesso ao local onde o avião caiu está sendo construída, para que possam ser retiradas as partes do avião que não podem ser transportadas em helicóptero.

Leia também:

Áudio do Airbus mostra desespero do piloto: ‘Pelo amor de Deus, abra a maldita porta’

Até agora, os investigadores têm chegado à região todos os dias de helicóptero desde o aeródromo de Seyne-les-Alpes, 10 quilômetros de onde caiu o avião. Desde a tragédia, as equipes de busca estão trabalhando para coletar todas as provas possíveis para identificar os corpos. Dado o estado dos restos mortais e o relevo do local, muito acidentado, a tarefa está sendo muito difícil. Restos humanos foram transportados até o momento também de helicóptero para Seyne-les-Alpes.

Leia mais:

Farei algo e saberão meu nome, disse copiloto, segundo ex-namorada​

Tragédia eleva preocupação com avaliação psicológica de pilotos

A polícia nacional instalou um laboratório, em um lugar secreto, onde cerca de 150 legistas, além de dentistas forenses, técnicos e policiais se mobilizam “para poder devolver os corpos de vítimas a suas famílias o mais rapidamente possível”, afirmou à AFP Patrick Touron, vice-diretor do instituto de investigação criminal da polícia civil. Por causa da degradação dos corpos, qualquer elemento pode ser útil: impressões digitais, joias e elementos de identidade encontrados no local, segundo ele.

‘Maldita porta’ – Áudios captados pela primeira caixa-preta recuperada dos destroços do avião da Germanwings indicam o desespero do piloto da aeronave ao ser impedido de retornar à cabine de comando. O capitão implora, aos berros, ao copiloto Andreas Lubitz que “abra a maldita porta” “pelo amor de Deus”. Segundo as investigações, Lubitz agiu deliberadamente para derrubar o avião. Foram descobertas também evidências no apartamento de Lubitz em Düsseldorf, e na casa de seus pais, em Montabaur, que indicam que ele estava em tratamento psicológico.

Quando Lubitz já teria acionado o sistema de descida, e os controladores aéreos franceses tentaram, sem sucesso, contatar a aeronave às 10h32, a gravação registra o sinal de alarme automático de perda de altura, revelou neste domingo o jornal alemão Bild. Imediatamente depois se ouve um forte golpe, como se alguém tentasse abrir com um chute a porta da cabine, e a voz do capitão, Patrick Sondenheimer, gritando: “Pelo amor de deus, abre a porta!”. Ao fundo é possível ouvir os gritos dos passageiros.

Às 10h35, quando o avião ainda estava a 7.000 metros de altura, a gravação registrou “ruídos metálicos fortes contra a porta da cabine” como se ela estivesse sendo golpeada. Noventa segundos depois, a 5.000 metros de altura, um novo alarme é ativado, e é possível ouvir o piloto gritar: “Abra essa maldita porta!”.

Transtorno de ansiedade – O copiloto sofria de transtorno de ansiedade generalizada (TAG), segundo informou neste domingo o jornal francês Le Parisien. De acordo com a publicação, os médicos que o atenderam aplicaram injeções de olanzapina, que tem efeito antipsicótico, e recomendaram que Lubitz praticasse esportes para recuperar a autoconfiança. Lubitz também aparentava ter problemas com o sono, para o que foi recomendado que usasse o antidepressivo agomelatina.

(Com agência Frace-Presse)