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Participação eleitoral dá novo estímulo ao regime argelino

Jorge Fuentelsaz.

Argel, 10 mai (EFE).- A participação de 42,9% registrada nas eleições legislativas argelinas realizadas nesta quinta-feira representa para as autoridades argelinas o respaldo da população ao processo de reformas políticas conduzido pelo presidente Abdelaziz Bouteflika para frear a influência das revoltas populares árabes.

‘Esta notável participação traduz o alto senso de civismo e de nacionalismo do povo argelino. O povo superou um grande desafio e reafirmou a determinação de levar o destino em suas mãos com uma eleição soberana’, disse hoje o ministro do Interior Daho Ould Kabilia.

As autoridades, com Bouteflika à frente, haviam insistido repetidas vezes na necessidade de votar em massa para demonstrar que os argelinos desejam uma mudança pacífica e não uma revolta popular, como as ocorridas em 2011 na Tunísia, no Egito e na Líbia.

‘O tema da participação lhes importa muito’, confirmou à Agência Efe a eurodeputada espanhola Inés Ayala depois de se reunir com vários responsáveis argelinos e pouco antes do fechamento dos colégios eleitorais.

A este respeito e apenas dois dias antes do pleito, Bouteflika tinha assegurado que ‘a credibilidade do país está em uma balança’, as mesmas palavras com as quais o canal de televisão estatal inaugurou a cobertura das eleições, dedicada exclusivamente a encorajar à participação.

Em 2007, o índice de participação alcançou o nível mais baixo desde a legalização do multipartidarismo em 1989, com 36%.

Já outros líderes políticos, como o secretário-geral do partido governamental Frente de Libertação Nacional, Abdelaziz Beljadem, haviam indicado que considerariam suficiente uma participação de 45%.

A este dado de participação é preciso acrescentar que a transparência do processo foi elogiada, tanto pela administração, como pelos partidos e pelos observadores da União Europeia (UE).

‘Não vimos nenhuma irregularidade alarmante’, disse a eurodeputada socialista Ayala ao fim da votação, antes de destacar que só tinham registrado ‘algum detalhe’ por temas de falta de coordenação que ‘não afetamao núcleo do voto livre dos argelinos’.

Essas declarações coincidiam com as afirmações do chefe da missão de observação europeia, José Ignacio Salafranca, que destacou, três horas depois da abertura das urnas, que a votação transcorria com normalidade.

Além disso, o porta-voz do grupo islâmico Movimento da Sociedade pela Paz (MSP), Kamel Mida, disse à Efe que ‘em geral, as eleições foram realizadas em boas condições’.

‘Vimos algumas infrações, mas de uma natureza que não pode influenciar nos resultados’, contou o porta-voz deste partido, que lidera a aliança islamita Argélia Verde, que espera surpreender nas urnas quando forem anunciados os resultados.

Por sua parte, Ould Kablia ressaltou que o processo eleitoral foi ‘transparente e normal’ e que o clima geral se caracterizou pela ‘calma e segurança’, ‘com exceção de alguns incidentes que foram rapidamente solucionados e que não influíram nos resultados’.

Segundo o ministro, 9.286.186 de argelinos dos mais de 21 milhões inscritos no censo eleitoral exerceram seu direito de voto, tanto dentro como fora do país.

Em nível nacional, a participação foi de 44,38%, enquanto no exterior, apenas 14% dos cidadãos argelinos decidiram votar.

Além disso, o ministro ressaltou que ‘as grandes cidades, nas quais não se costuma votar, registraram um aumento palpável em relação a outras eleições’, e assinalou que em Argel houve 30,95% de participação.

Já nas cidades do sul do país a participação superou 60%, segundo o ministro, que apontou que Tinduf (sudoeste), registrou o índice mais elevado com 83,15%.

Desfeita a incógnita da participação, uma das preocupações desse pleito, amanhã serão revelados os resultados em entrevista coletiva às 15h30 locais (11h30 de Brasília) que medirão a capacidade de convocação da corrente islâmica no calor da ascensão islamita nas recentes eleições tunisianas, egípcias e marroquinas. EFE