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Parlamento da Crimeia vota por tornar a região parte da Rússia

Decisão unânime dos legisladores será submetida a um referendo em 16 de março

(Atualizado às 13h01)

O Parlamento da Crimeia, no Sul da Ucrânia, votou nesta quinta-feira por tornar a região parte da Rússia. A decisão unânime dos legisladores será submetida a um referendo de emergência, em 16 de março, para que a população local possa opinar – e confirmar, ou não, a adesão. O governo interino da Ucrânia afirma que qualquer votação nesse sentido é inconstitucional.

Os eleitores poderão escolher entre uma união à Rússia ou uma autonomia maior em relação a Kiev, afirmou o deputado regional Grigori Ioffe. Também nesta manhã, Kremlin anunciou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi informado sobre o pedido do Parlamento da Crimeia.

Após a decisão, os tártaros da Crimeia, membros de um minoria local que teme o aumento da influência russa, pediram hoje uma reação urgente da comunidade internacional. A decisão foi tomada por “loucos”, disse Refat Chubarov, líder dos tártaros, que constituem 12% da população da Crimeia.

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, condenou a decisão do Parlamento da Crimeia. “Esse referendo não tem nenhuma base legal. A Crimeia é e continuará a ser parte integral da Ucrânia”, disse.

Após a deposição do presidente Viktor Yanukovich, que fugiu para a Rússia, a Crimeia tornou-se o principal palco de disputa em um país dividido entre a população pró-Europa e pró-Rússia. Alegando preocupação com a segurança da população local, de maioria russa, Moscou enviou tropas à Crimeia. Milhares de soldados russos passaram a ocupar no final da semana passada bases e estradas da região.

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Milícias pró-Moscou chegaram a invadir prédios da administração regional e até o aeroporto de Simferopol, capital da república autônoma. A região foi uma das bases eleitorais do presidente deposto nas últimas eleições e uma base naval russa está localizada no porto de Sebastopol.

Em novembro, Yanukovich abriu mão de um acordo de livre-comércio com a União Europeia e optou por se aproximar do Kremlin, recebendo apoio financeiro dos cofres da Rússia. Para os ucranianos, ao dar as costas para o bloco europeu, ele desperdiçou a oportunidade de tornar a Ucrânia uma nação de fato independente, transparente e democrática.

Um dia depois da assinatura do acordo, no entanto, Yanukovich fugiu do país e o Parlamento o destituiu. O presidente deixou Kiev quando a tensão na capital atingiu o ponto mais alto em três meses de protestos contra seu governo, com cerca de 100 mortos em confrontos entre manifestantes e policiais.

Na sequência, um mandado de prisão foi emitido contra o ex-presidente, que passou a ser considerado foragido. Um governo interino foi formado pelas lideranças políticas dos protestos. Mas a situação está longe da estabilidade, sobretudo em razão da crise na Crimeia.

Nesta quarta, tropas russas controlaram parte de uma unidade de defesa em Yevpatoria, na costa oeste da Crimeia, mas não conseguiram dominar a central de comando, segundo o Ministério da Defesa ucraniano. No norte da península, no istmo que liga a república autônoma ao restante do país, soldados russos usaram dez caminhões para bloquear o trânsito e passaram a checar documentos de quem deseja atravessar o local. Duas bandeiras russas foram colocadas na região, segundo o New York Times.

Em Donetsk, no leste, onde a população de origem russa é maioria, manifestantes pró-Moscou exigindo mais autonomia em relação a Kiev enfrentaram a polícia e invadiram um prédio da administração regional – foi a segunda ocupação da sede nesta semana. Confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes resultaram em vários feridos.