Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

‘Panama Papers’: milhares pedem renúncia do premiê da Islândia

Milhares de pessoas protestaram nesta segunda-feira em frente ao parlamento de Reykjavik para exigir a renúncia do primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, após as revelações do caso Panama Papers de que ele manteve com sua mulher uma empresa em um paraíso fiscal. O protesto reuniu mais de 10.000 pessoas – a população do país é de 330.000 habitantes – que cantaram, bateram tambores e sopraram apitos, reportou o jornal britânico The Guardian. Segundo a imprensa local, durante a manifestação foram lançados ovos contra a sede do parlamento.

Os partidos de oposição já formalizaram a solicitação de um voto de censura, no qual se pede a retirada da confiança ao político, a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições.

Leia mais:

Investigação global revela contas de políticos e celebridades em paraísos fiscais

‘Panama Papers’: Macri diz que offshore foi criada pelo pai para investir no Brasil

Após o vazamento dos documentos que provaram que o primeiro-ministro e sua esposa, Sigurlaug Pálsdóttir, criaram a empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas em 2007, Gunnlaugsson avisou que não iria renunciar. Os papéis também revelaram que ele vendeu sua metade de empresa à esposa por 1 dólar em 2009, poucos dias antes de entrar em vigor uma nova lei na Islândia que o obrigaria, sendo membro do Parlamento, a declarar que a propriedade da empresa representava conflito de interesses.

O primeiro-ministro insistiu que em nenhum momento o casal fez uso dessa companhia para evitar pagar impostos na Islândia. Ele assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2013 com o apoio do Partido da Independência, cujo líder, Bjarni Benediktsson, atual ministro das Finanças, também é citado nos chamados Panama Papers.

O escândalo conhecido como Panama Papers tornou públicos 11,5 milhões de documentos que envolvem 140 personalidades com empresas em paraísos fiscais. Eles foram divulgados por diversos veículos de imprensa internacionais e pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

(Da redação)