Pais de Madeleine vencem processo contra ex-chefe da polícia portuguesa

Gerry e Kate McCann receberão 500.000 euros por danos morais. O juiz entendeu que as acusações de que eles teriam forjado o sequestro da filha eram caluniosas

Os pais da menina Madeleine McCann, desaparecida desde 2007, venceram na Justiça portuguesa um processo contra o ex-chefe de polícia do país, Gonçalo Amaral, que os acusou de forjar o sequestro da própria filha. Amaral foi condenado a pagar 500.000 euros (mais de 1,5 milhão de reais) em danos morais ao casal Gerry e Kate. O juiz responsável pelo caso entendeu que as denúncias feitas por Amaral eram caluniosas, informou o jornal britânico The Guardian.

Amaral havia publicado as acusações em um livro intitulado The Truth of the Lie (A Verdade da Mentira, em tradução literal). A condenação emitida nesta terça também proíbe a publicação de ser comercializada futuramente. Por meio de um comunicado, o casal McCann disse que estava contente com o veredicto e que não se importava com o dinheiro adquirido através da ação penal. “Queremos enfatizar que nunca tivemos o objetivo de ganhar dinheiro com a ação. Ela foi inteiramente focada no efeito que as calúnias poderiam ter sobre nossos outros filhos e nos danos que elas provocaram nas buscas por Madeleine”.

Inicialmente, Kate e Gerry pediam na Justiça uma compensação de 1,25 milhão de euros (mais de 3,9 milhões de reais). Eles afirmaram que o livro de Amaral poderia impedir as pessoas de divulgarem novas informações sobre o caso porque partia do pressuposto de que Madeleine estaria morta. “Muita coisa mudou nestes seis anos decorridos do momento em que nós entramos com a ação penal. Estamos gratos de que há uma investigação ativa em Portugal e na Grã-Bretanha. Gostaríamos de lembrar as pessoas que ainda existe uma menininha inocente que está desaparecida e que os responsáveis por este sequestro estão em liberdade”, disse o casal.

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O livro de Amaral se tornou um best-seller em Portugal e foi lançado três dias após a procuradoria-geral do país ter encerrado as primeiras buscas por Madeleine, em julho de 2008. Em audiência realizada no ano passado, Kate declarou que seu filho tomou conhecimento das acusações de Amaral e chegou a perguntá-la sobre a veracidade das alegações. Ela destacou que precisou procurar acompanhamento psicológico para responder às questões feitas por Sean, de nove anos de idade, e por sua irmã gêmea Amelie. “Eu acredito que o conteúdo do livro do senhor Amaral é muito perturbador para adultos. Para uma criança, ele pode provocar danos seriíssimos”, disse.

Em outubro, os McCanns ganharam 55.000 libras (mais de 240.000 reais) de um jornalista do jornal Sunday Times que escreveu um artigo sobre tentativas do casal de emperrar as investigações. Há seis anos, Kate e Gerry negociaram com o conglomerado midiático Express Newspapers o pagamento de 550.000 libras (mais de 2,4 milhões de reais) para um fundo em nome de Madeleine. Eles reclamavam de uma série de reportagens difamatórias que foram publicadas nos jornais Daily Express, Sunday Express e Daily Star.

Em maio deste ano, o desaparecimento de Madeleine completará oito anos. A menina sumiu enquanto seus pais jantavam em um restaurante do resort em que estavam hospedados, na Praia da Luz. As autoridades portuguesas abandonaram o caso em 2008, mas a polícia britânica começou a revisá-lo em 2011 e, em 2013, reabriu a investigação de forma oficial. A polícia portuguesa fez o mesmo em outubro do mesmo ano.

(Da redação)