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Oposição responsabiliza Correa por revolta policial

O líder opositor Gilmar Gutiérrez afirma que "o responsável pelo massacre se chama Rafael Correa"

“Há suficiente evidência de que ninguém decidiu tomar o poder e que, enquanto esteve no Hospital da Polícia, Correa pôde atuar, conversar, dar ordens e decretar o estado de emergência”

A oposição equatoriana responsabilizou o presidente Rafael Correa pela revolta policial da quinta-feira passada, no momento em que o governo denuncia o “silêncio cúmplice” dos opositores. O líder opositor Gilmar Gutiérrez, que segundo Correa é um dos cabeças da “tentativa de golpe”, afirmou que “o responsável pelo massacre se chama Rafael Correa”.

Gutiérrez, irmão do ex-presidente Lucio Gutiérrez e acusado pelos governistas de incentivar os golpistas, se referia aos dez mortos e 274 feridos na rebelião da última semana. Ele afirmou que o que ocorreu foi uma “greve policial” que degenerou em conflito porque Correa decidiu “desafiar” os agentes que protestavam ao discursar em um quartel de Quito.

A greve foi provocada pela lei que elimina benefícios por tempo de serviço, condecorações e outros elementos entre policiais e militares. Nesta segunda-feira, a lei entrou em vigor. O governo também iniciou a reestruturação da polícia, que tem 42.000 homens. Alguns oficiais foram transferidos para tarefas administrativas, ficando sob vigilância.

Outro líder da oposição, César Montúfar, não acredita que tenha havido golpe de Estado ou sequestro do presidente. “Há suficiente evidência de que ninguém decidiu tomar o poder e que, enquanto esteve no Hospital da Polícia, Correa pôde atuar, conversar, dar ordens e decretar o estado de emergência”, afirmou.

O ministro da Segurança, Miguel Carvajal, informou que “a situação está se normalizando” e que “os policiais trabalham em todo o país”. Mas a ministra da Política, Doris Solís, acusou a oposição nesta segunda-feira de manter um “silêncio cúmplice” durante a “tentativa de golpe de Estado”.

Doris afirmou que os partidos Sociedade Patriótica (SP), dos irmãos Gutiérrez, e o Movimento Popular Democrático (extrema esquerda) participaram ativamente da revolta. A ministra citou imagens que mostram integrantes do SP “dirigindo os atos” de insurreição e a tomada do canal de TV estatal durante a revolta.

Punição – O governo do Equador adotou uma série de sanções contra os policiais suspeitos de participar dos protestos. O ministro do Interior, Gustavo Jalkh, informou que entre as ações tomadas em represália ao levante de policiais e militares estão “a retirada das armas de todas as unidades motociclistas, a redistribuição do efetivo de Quito em várias unidades como medida preventiva, e alguns oficiais perderam o comando de seus batalhões”. Ainda segundo o ministro, “foram abertos expedientes administrativos em tribunais de disciplina por má conduta.”

(Com agência France-Presse)