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Oposição cobra transparência sobre saúde de Chávez

Mandatário estaria em coma induzido. Posse está marcada para próximo dia 10

A oposição venezuelana cobrou nesta quarta-feira mais transparência sobre o estado de saúde de Hugo Chávez. O coronel está internado há mais de 20 dias em Havana, Cuba, depois de ser submetido a uma cirurgia para combater um câncer na região pélvica – a quarta intervenção cirúrgica desde que a doença foi diagnosticada, em junho do ano passado.

“A exigência de que se diga a verdade é fundamental porque quando o doente é um chefe de Estado que acaba de ser reeleito para um novo mandato, há implicações que afetam toda a nação”, disse o secretário executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo.

Para ele, a informação dada pelo vice-presidente Nicolás Maduro sobre a saúde de Chávez foi “insuficiente” e omitiu informações fundamentais. “O governo não está atuando com transparência”, criticou. “O segredo é a fonte dos rumores que aumentam as incertezas e provocam angústia”.

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Coma induzido – Em uma entrevista concedida em Cuba, Maduro disse que Chávez tem consciência sobre a complexidade de sua recuperação e admitiu que o estado de saúde atual do mandatário é “a adversidade mais dura” enfrentada pelo governo desde que Chávez chegou ao poder, em 1999.

Afirmou ainda ter encontrado o caudilho “com uma força gigantesca” e criticou o que classificou como uma onda de boatos sobre a saúde de Chávez. Uma das últimas informações não oficiais divulgadas sobre o pós-operatório de Chávez foi divulgada pelo diário espanhol ABC. A reportagem diz que o mandatário está em coma induzido e com os sinais vitais muito debilitados, mantidos graças a aparelhos. O desligamento dos aparelhos poderia ocorrer a qualquer momento, completou a publicação.

“Com febre constante, perda de consciência e sem responder aos antibióticos, o presidente venezuelano chegou ao fim do ano com cuidados intensivos”, disse o jornal, acrescentando que Chávez não ingere nada sólido desde que foi operado e que recebe alimentação intravenosa devido a extração de quase meio metro de intestino. Citando fontes de inteligência com acesso à equipe médica que cuida de Chávez, o ABC afirmou ainda que suas funções respiratórias estão sendo mantidas artificialmente depois da traqueostomia a que foi submetido devido a uma infecção que resultou na retenção de líquido nos pulmões. E que ele também está com insuficiência renal.

Nesta quarta-feira, o presidente da Bolívia, Evo Morales, classificou o estado de saúde de Chávez como “muito preocupante”. A declaração foi dada depois de um contato de Morales com a família do venezuelano.

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Comando – O secretário da MUD lembrou que a data da posse para o novo mandato é o próximo dia 10 e disse que, no caso de Chávez não poder assumir, o chefe da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, deve comandar o país, como está previsto na Constituição.

“A versão oficial mantida até agora sobre a saúde do presidente não se sustenta porque não se quis decidir pela ausência temporária. Nos foi dito que o presidente está no exercício do cargo e que é possível falar com ele, mas a situação está muito grave e delicada, o que nos faz pensar que não está no exercício de suas funções”, disse Aveledo.

“Querer fazer com que as pessoas acreditem que o presidente está no exercício de suas funções atualmente é uma irresponsabilidade descomunal, porque é óbvio que não está”, acrescentou.

Em resposta às cobranças feitas pela oposição, Cabello, que também é o primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv), publicou em sua conta no Twitter que “os chavistas temos muito claro o que faremos”. Disse ainda que os opositores devem “se ocupar do que eles deveriam fazer”.

Estados Unidos – O Departamento de Estado americano pediu nesta quarta-feira que, se o presidente Hugo Chávez não tiver condições de exercer o cargo, que a transição na Venezuela ocorra com “com eleições transparentes, livres e imparciais”. “Dadas as circunstâncias em que Chávez se encontra e caso não possa assumir o cargo de presidente, queremos ver um processo de transição consistente com a Constituição do país”, disse a porta-voz Victoria Nuland, em entrevista coletiva.

(Com agências EFE e France-Presse)