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Oposição acusa Chávez de incitarção ao ódio e à agressão

Em fala a militares, ditador disse: "Quem não é chavista não é venezuelano'

A oposição venezuelana classificou nesta quarta-feira de incitação ao ódio e à agressão um discurso proferido por Hugo Chávez em um ato militar no domingo. Em um de seus arroubos retóricos, o ditador afirmou a soldados no 191º aniversário de uma batalha pela independência no país: “Quem não é chavista não é venezuelano”.

A reação da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) disse que considera a fala “extremamente grave”. “Não há desculpa que justifique a gravidade de tais palavras”, acrescentou a sigla em comunicado.

O fato de Chávez se expressar dessa forma em uma parada da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) agrava ainda mais o tom da frase, acrescentou a MUD. “O que ele sugere? Que a Fanb deve ignorar uma opção que não seja chavista? Agredir o povo que não se identifica com o governo?”, questionou. A MUD realizou em fevereiro eleições primárias das quais Henrique Capriles saiu como o candidato único da aliança de partidos opositores para tentar impedir o ditador de ser novamente reeleito na votação presidencial de 7 de outubro.

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Na terça-feira, a bancada opositora da Assembleia Nacional (Parlamento) apresentou um acordo de condenação ao pronunciamento do chefe de estado. O deputado Williams Fariñas, em nome do bloco de maioria chavista, rechaçou e acusou “a rançosa direita” de pretender “manchar” a Fanb.

A MUD, por sua vez, fez referência às eleições regionais do ano retrasado e acrescentou que a “vergonhosa expressão de Chávez ofende não só 52% do país que votou pela alternativa democrática em 26 de setembro de 2010, que é a maioria, mas todo o país”. “O presidente pisa em terreno perigoso com uma expressão que já dá a volta ao mundo e o coloca no nível de um ditador, já que parece querer encerrar sua carreira política como um. Além disso, quer legitimar um ‘apartheid’ e que os militares sejam os fiadores de uma hegemonia excludente e discriminatória.”

A MUD, conclui o comunicado, “convida o país a uma reflexão diante de tão grave manifestação e os civis e militares a mostrarem sua rejeição à declaração do presidente em 24 de junho e à chantagem de quem já tem o ‘rei na barriga’ e quer ocultar seu fracasso incitando o ódio e a violência”.

(Com agência EFE)