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ONU pede que países parem de impedir que imigrantes alcancem terra firme

Agências das Nações Unidas estimam que 4.000 pessoas estejam à deriva, sujeitas à falta de comida, desidratação e violência

Agências da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram, nesta terça, para que Indonésia, Malásia e Tailândia reforçarem operações marítimas de resgate e parem de impedir milhares de imigrantes desesperados de alcançarem terra firme. Estima-se que 4.000 homens, mulheres e crianças de Mianmar e Bangladesh estejam à deriva com poucos suprimentos em pelo menos cinco embarcações próximas à costa de Mianmar e Bangladesh há mais de 40 dias, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). A porta-voz da agência de refugiados da ONU, Vivian Tan, disse à agência France-Presse que a Acnur tem informações sobre falta de comida, desidratação e violência a bordo das embarcações.

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Em nota conjunta, com participação da Organização Internacional para Migração (OIM), os chefes da Acnur e da comissão de direitos humanos da ONU pediram aos três países para pararem de tentar empurrar embarcações para fora de suas águas territoriais. Autoridades deveriam “fornecer um desembarque eficaz e previsível para um local seguro com condições de acolhimento adequadas e humanas” e estabelecer procedimentos de triagem para identificar os necessitados de proteção internacional como refugiados, acrescentaram.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu aos países do sudeste asiático para que cumpram seus deveres e resgatem pessoas em áreas de necessidade, dizendo que estava profundamente alarmado com as mortes de imigrantes quando os Estados falharam em salvá-los. Nesta terça-feira, as Filipinas mostraram disposição para receber os imigrantes, mas as precárias embarcações teriam de viajar longas distâncias, uma vez que o país não está próximo das áreas por onde circulam os navios de traficantes.

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Nesta segunda-feira, a União Europeia (UE) sinalizou que pode devolver as pessoas resgatadas ao porto de onde partiram. No mesmo dia, o porta-voz militar da Indonésia afirmou à CNN que o país não pretende acolher os imigrantes. “Temos quatro navios guardando nossas águas em Aceh neste momento. A política se mantém: não deixaremos nenhum imigrante ilegal entrar”, disse. No sudeste asiático, a fuga da miséria e da perseguição religiosa de emigrantes de Bangladesh e de rohingyas, minoria muçulmana de Mianmar, acontece há vários anos, mas nas últimas semanas se tornou mais intensa. Mais de 1.700 pessoas já morreram este ano em travessias ilegais no Mar Mediterrâneo.

(Da redação)