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ONU convoca reunião de emergência sobre repressão líbia

Nesta terça, confrontos entre forças de segurança e manifestantes aumentaram

“As reivindicações de todos os povos árabes, que exigem reformas, desenvolvimento e mudança, são legítimas e compartilhadas no mundo árabe”

Amr Musa, secretário da Liba Árabe

Enquanto a repressão na Líbia segue ganhando força nesta terça-feira, principalmente após o reaparecimento do ditador Muamar Kadafi, a Organização das Nações Unidas (ONU) convoca uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir o caos que se instaurou pelo país, a pedido do embaixador adjunto da Líbia diante da ONU, Ibrahim Dabbashi, que garantiu que o general deve “deixar o poder o mais rápido possível” e que a comunidade internacional deve “evitar buscar refúgio em outro país”.

O encontro segue-se a uma série de deserções por parte de diplomatas líbios – incluindo a delegação na ONU e o embaixador do país nos EUA -, que denunciaram a violência brutal usada pelo regime de Kadafi. A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, exigiu o início de uma “investigação internacional independente” sobre a repressão e pediu o “fim imediato das graves violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades líbias”.

Ela ainda advertiu o governo de que “os ataques sistemáticos contra a população civil” podem ser considerados crimes contra a humanidade. “A brutalidade com que as autoridades líbias e seus mercenários atiravam com balas reais contra os manifestantes pacíficos é inadmissível”, afirmou, em comunicado. “Neste momento, estou extremamente preocupada com a perda de vidas”, completou, salientando que a comunidade internacional deve estar unida na condenação de tais atos e precisa adotar compromissos inequívocos para garantir que será feita justiça às milhares de vítimas da repressão. “O estado tem a obrigação de proteger o direito à vida, à liberdade e à segurança”, concluiu.

Protestos: manifestantes pedem liberdade e o fim do regime de Kadhafi

Protestos: manifestantes pedem liberdade e o fim do regime de Kadhafi (VEJA)

Vítimas – Estima-se que o número de mortos nos conflitos até agora esteja em torno de 250, embora organizações não-governamentais afirmem que as vítimas possam passar de 400. Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse ter feito um apelo por moderação durante uma conversa de 40 minutos com Kadafi. “Pedi a ele que os direitos humanos e a liberdade de assembleia e discurso sejam totalmente protegidos. Instei a ele que pare a violência contra os manifestantes, e destaquei mais uma vez a importância de se respeitarem os direitos humanos daqueles manifestantes.”

Apesar dos apelos, a repressão contra os manifestantes aumentou nesta terça. Aviões da Força Aérea bombardearam Trípoli no início da manhã, contando com a ajuda de mercenários. Logo depois, a fronteira com o Egito ficou sob controle das forças opositoras, de acordo com a TV Al Jazeera.

Esse ponto está sendo utilizado por egípcios que estão fugindo do país pela repressão do regime de Kadafi contra militantes da oposição – no total, 1,5 milhão vivem atualmente na Líbia. Segundo a emissora, a situação nesse ponto limítrofe, a 1.600 quilômetros da capital, é completamente caótica. Benghazi, a segunda maior cidade do país, e Al Bayda também estão tomadas.

(Com agências EFE e France-Presse)