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ONU alerta sobre ‘epidemia global’ por violência contra mulheres indígenas

David Valenzuela.

Nações Unidas, 10 mai (EFE).- O Fórum Permanente para Questões Indígenas da ONU lançou nesta quinta-feira uma mensagem de alerta à comunidade internacional para intensificar os esforços de combate à violência contra mulheres e meninas indígenas no mundo.

‘A violência contra as mulheres indígenas é um problema global, com tinturas de epidemia em numerosos países devido ao aumento dos diversos tipos de violência que enfrentamos’, disse à Agência Efe a nicaraguense Mirna Cunningham, especialista em assuntos indígenas e ex-presidente deste fórum da ONU.

Cunningham participou da sessão que o Fórum Permanente para Questões Indígenas dedicou às mulheres e meninas dessas comunidades, na qual foram apresentadas as conclusões de um relatório elaborado por especialistas de todo o mundo. O texto alerta sobre o caráter multifacetado da violência que enfrentam.

De acordo com o relatório, as mulheres, meninas, adolescentes e jovens indígenas, consideradas as mais pobres dentre os pobres, são vítimas de um ‘elevado aumento’ da violência ‘política, social, econômica, espiritual, física, sexual, psicológica e ambiental’ em todas as regiões do planeta onde habitam.

Apesar de o fórum não contar com números específicos por países que demonstrem com dados o aumento da violência, a especialista ressaltou que se trata de um problema que inclui numerosas transgressões de seus direitos individuais e coletivos.

‘Há meninas indígenas que estão expostas a resíduos nucleares ou pesticidas que morrem de câncer já aos 12 anos, e há menores de idade que são vendidas a narcotraficantes. Está se negando o futuro às próximas gerações’, explicou a dirigente indígena à Agência Efe.

A principal conclusão do relatório é que ‘as medidas para combater a violência contra as mulheres e as meninas no contexto indígena devem ser integrais, e não devem se tratar de maneira isolada em relação ao conjunto de direitos reconhecidos para os povos indígenas’.

‘A violência não pode se desvincular da história de discriminação e marginalização sofrida pelos povos indígenas em seu conjunto’, disse o especialista.

Para isso, os integrantes do fórum pedem à comunidade internacional que cumpra a legislação internacional sobre povos indígenas, o que inclui a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas.

Eles consideram ‘vital’ que os governos recopilem dados relacionados à violência da mulher e que incluam números específicos relacionados aos indígenas, algo que atualmente só é feito por Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Sobre o caso específico das indígenas latino-americanas, Cunningham disse que ‘a situação é grave em vários campos’, entre os quais destacou ‘o enorme crescimento da violência pela militarização na Colômbia, México e Guatemala’, assim como ‘o grande impacto das indústrias mineradoras, principalmente na Amazônia’.

De qualquer maneira, segundo ela, a maioria dos países da América Latina ainda tem ‘muito a fazer’ para acabar com a violência institucional contra os indígenas, já que são necessários ‘modelos de educação e saúde interculturais, além de sistemas de Justiça nos quais se aplique o pluralismo jurídico’.

O Fórum Permanente para Questões Indígenas iniciou na segunda-feira passada seu 11º período de sessões focado em impulsionar o fim da marginalização desses povos e o impacto que a chamada doutrina do descobrimento teve no desenvolvimento dessas comunidades.

O evento segue até o próximo dia 18 e estima-se a participação de aproximadamente 2 mil indígenas. Entre os atos mais importantes, estará a comemoração do quinto aniversário da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 2007. EFE